Ando me lembrando da frase famosa de Pound: " Literatura é linguagem..." . Fim de semana passado, meu aniversário, encontramos, eu e meus amigos, por acaso, um dos poetas da expressão atual da poesia maranhense, Natinho Costa. Pensei, que incrível oportunidade poder conversar um pouco com um dos artistas de minha terra, que pensava eu, inacessivéis. Conversando, rindo e lembrando, cheguei a uma das máximas da escrita, o sentido. O sentido que há nas paredes e no asfalto, o sentido dos homens e das reticências, suas vírgulas e seus et coetera. Sentido este que evoca tudo que é primitivo, dos instintos, isto incluindo o instinto da palavra, e poesia é isto.
Existe um texto ótimo que Arnaldo Antunes escreveu e saiu na revista Oca das Letras, e ele fala bem disto. Com a poesia, recuperamos o aspecto e a função primeiras perdidas das palavras. E o que constatamos hoje em linguagem mundo afora não passa de um sinal dos tempos. As palavras também são testemunhas e vítimas do uso e do desuso da condição humana.
Viver - literariamente falando - a escrita em suas modalidades de uma forma que registre este acontecimento é muito bom, mais que isso, necessário. Mas as palavras não são somente sons, e tentar compreender e captar melhor o instinto da palavra é fazer valer a discernimento completo da mente e do prazer humano. Estamos assim, nos libertando de amarras sutis, que não nos permitem absorver melhor o sentido múltiplo da poesia, e da vida, porque não. Este instinto da palavra, acredito, é a mesma manifestação que acomete os bons poetas na unidade presente em cada Criação.
terça-feira, 12 de maio de 2009
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Novo tempo
por
Sebastião Ribeiro
Descrever e experimentar a existência são o sentido que define o fazer poesia. Longe da fama, do editores, dos festivais e concursos, vejo agora, perto dos vinte e um anos, que leiam e releiam o que escrevo, melhor, o que crio, mas só o que me restará é a certeza que sou um poeta. A visibilidade de qualquer maneira já não mais me atrai, e o que me faz continuar é a criação: sentir-me na novidade de cada dia e de cada pessoa, munido de olhos que não se esvairão em qualquer oportunidade; dizer a verdade, a mim mesmo ao menos, e sentir-me menos desamparado neste mundo. Concordo do fundo do peito com o que disse Léon Bloy, "Mesmo que não tivesse um único leitor, continuaria escrevendo, porque a verdade tem de ser dita nem que seja às pedras". Tudo isto se torna cada vez mais verdadeiro. Tornar-me melhor e melhor para mim, porque como em vários aspectos da vida, não posso libertar o criar poesia dos exercícios do ego. Citaria agora Henry Miller, em seu A Hora dos Assassinos, onde encontro reflexões e conceitos que me abriram os olhos e o coração, a alma disse baixinho '-Verdade...'. São tantos fragmentos, que só posso pedir que aqueles que escrevem de verdade e de coração, que leiam, e se ouvirem o âmago sussurrar '- Verdade... ', bem, tenham certeza que algo de superior existe em vossos caminhos.
Neste livro, Miller traça um paralelo entre seu viver e escrever com o viver e escrever de Rimbaud, que concordem ou não, em menor ou em qualquer outro grau, foi o introdutor (afamado, digamos) da linguagem e estética modernista no Ocidente, com sua Uma Temporada no Inferno. Não que me sinta próximo de Rimbaud quanto à sua vida e obra, mas as conclusões e impressões que Miller tira de suas vidas me elevam a uma certeza natural.
Enfim, se a fama que desejo, vier, que seja merecida. Mas principalmente que a sinta e viva, não a force ou a pressinta. Isto é deveras desgastante. Em A Hora dos Assassinos, Miller diz que Rimbaud quando parou de escrever foi buscar a essência perdida no escuro e no silêncio. As linhas de tudo já foram traçadas, estão no futuro e o futuro é Deus, e Deus é a Criação. No escuro e no silêncio digo mais coisas a mim mesmo e ao mundo, que entre todos.
Deixemos estar...
Neste livro, Miller traça um paralelo entre seu viver e escrever com o viver e escrever de Rimbaud, que concordem ou não, em menor ou em qualquer outro grau, foi o introdutor (afamado, digamos) da linguagem e estética modernista no Ocidente, com sua Uma Temporada no Inferno. Não que me sinta próximo de Rimbaud quanto à sua vida e obra, mas as conclusões e impressões que Miller tira de suas vidas me elevam a uma certeza natural.
Enfim, se a fama que desejo, vier, que seja merecida. Mas principalmente que a sinta e viva, não a force ou a pressinta. Isto é deveras desgastante. Em A Hora dos Assassinos, Miller diz que Rimbaud quando parou de escrever foi buscar a essência perdida no escuro e no silêncio. As linhas de tudo já foram traçadas, estão no futuro e o futuro é Deus, e Deus é a Criação. No escuro e no silêncio digo mais coisas a mim mesmo e ao mundo, que entre todos.
Deixemos estar...
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Mim quer ver o Sol, mim quer ver o Sol!
por
Sebastião Ribeiro
Aqui está um comentário que um Anônimo pôs em meu post, intitulado "Utilidade doméstica". Na íntegra:
"Anônimo disse...
Prezado amigo, vc pensa demais, procure apenas observar o nascer do Sol em cada dia e diga a si mesmo " obrigado Senhor, continuo vivo " simplicidade, talvez seja a chave maior para o reconhecimento pessoal...um abraço "
24 de Abril de 2009 14:27
Ai, este tal do reconhecimento pessoal ainda me mata.... ui, ui!
Mas, here we go!
Sugeriram-me simplicidade, e tenho que dizer-vos algo revelador e chocante; por favor, impeçam os homens de jogarem-se ou as mulheres de ingerir cianureto: MINHA LINGUAGEM NÃO É EXATA! Explico.
Simplicidade é o quê? Meio mediocridade ou um tom pastel? Uma estrutura manipulável? Creio que tomadas as proporções, esta pergunta é a resposta. Você quem concebeu a dúvida, não constrói a solução? A poesia é dominável, mas dificilmente manipulável. Meu poder é sobre a construção. O propósito está na criação, e não na construção. Propósito é intenção, não é? Creio que também já disse, aqui ou em meus sonhos, que lido com miudezas, sutilezas, algos inefáveis. É outro Universo, revisitado e discutido, mas não por mim inventado. Construído... Está além. Do momento em que distorço o caminho natural da concepção de um poema, os dedos se voltam para mim mesmo. Manjam não poderem ultrapassar os penhascos nos videogames? Muito parecido!
Cidadão, você não constrói com alguma intenção? Aí a questão é idiossincrásica: comigo não é assim. Porém é sempre delicioso recordar que nada neste pedaço de torrão chamado Terra, é absoluto. Que venha Aquiles e seu calcanhar!
Poeta nenhum nasceu para despertar poesia em alguém normal. Normal que digo, é aquele indivíduo cotidiano, burocrático, prático demais, enfim, um expert! É isso que o mundo dos homens quer.
Concordo em gênero e número que existem dois tipos de poeta: os que leem e os que criam. O Mundo das Idéias e o Paraíso continuam além, é este o sentido, é este o motivo pelo qual ainda estamos nos traduzindo... E na língua do homem só existe uma concepção simplista e esperada, além do silêncio: o desconhecido.
"Anônimo disse...
Prezado amigo, vc pensa demais, procure apenas observar o nascer do Sol em cada dia e diga a si mesmo " obrigado Senhor, continuo vivo " simplicidade, talvez seja a chave maior para o reconhecimento pessoal...um abraço "
24 de Abril de 2009 14:27
Ai, este tal do reconhecimento pessoal ainda me mata.... ui, ui!
Mas, here we go!
Sugeriram-me simplicidade, e tenho que dizer-vos algo revelador e chocante; por favor, impeçam os homens de jogarem-se ou as mulheres de ingerir cianureto: MINHA LINGUAGEM NÃO É EXATA! Explico.
Simplicidade é o quê? Meio mediocridade ou um tom pastel? Uma estrutura manipulável? Creio que tomadas as proporções, esta pergunta é a resposta. Você quem concebeu a dúvida, não constrói a solução? A poesia é dominável, mas dificilmente manipulável. Meu poder é sobre a construção. O propósito está na criação, e não na construção. Propósito é intenção, não é? Creio que também já disse, aqui ou em meus sonhos, que lido com miudezas, sutilezas, algos inefáveis. É outro Universo, revisitado e discutido, mas não por mim inventado. Construído... Está além. Do momento em que distorço o caminho natural da concepção de um poema, os dedos se voltam para mim mesmo. Manjam não poderem ultrapassar os penhascos nos videogames? Muito parecido!
Cidadão, você não constrói com alguma intenção? Aí a questão é idiossincrásica: comigo não é assim. Porém é sempre delicioso recordar que nada neste pedaço de torrão chamado Terra, é absoluto. Que venha Aquiles e seu calcanhar!
Poeta nenhum nasceu para despertar poesia em alguém normal. Normal que digo, é aquele indivíduo cotidiano, burocrático, prático demais, enfim, um expert! É isso que o mundo dos homens quer.
Concordo em gênero e número que existem dois tipos de poeta: os que leem e os que criam. O Mundo das Idéias e o Paraíso continuam além, é este o sentido, é este o motivo pelo qual ainda estamos nos traduzindo... E na língua do homem só existe uma concepção simplista e esperada, além do silêncio: o desconhecido.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Tirem-lhe o mofo e as teias!
por
Sebastião Ribeiro

( Toulouse-Lautrec, o cara!) www.pathguy.com/lectures/toulouse_lautrec.jpg
Estive meio morto por estes dias. Assim, desconstruído, médio. Vocês sabem quando os pratos escorregam das mãos? Pois é quase isto.É isto que te digo em meio aos laços da cidade. Saiba, pois, que estive pensando não mais repetir as palavras, vossos olhos estão cansados. Deixe que eu te leve ao silêncio pelo meu verso inaudito. Você perdeu muitos interesses pelos séculos, ainda te espero. Te cabe mais explicações? Sim, as deixo.
Hoje só existem poetas retóricos, em neon. Só surgem estas placas de ensimesmamento delirante, os poemas parecem pinturas... que não são as de Toulouse-Lautrec! Não me repreendo nem me esqueço. Minha lira é inclusive transição, tentativa, erro, esquecimento.
Tu que me colhes e me aceitas, entendes, que te esclareço (peço por esclarecer-te) que em minhas palavras te carrego e te faço inclusive surgir por entre elas! Me esqueça, se quiseres. Não te esqueça que ainda escrevendo sou pequeno, só subscrevo vossa pequenez.
Tu que lês, não me mortifiques, pois sou somente a tentativa de nos unirmos.
VIII.
Pura a assíntota de silêncio e vida
do sabor estranho, epifania
da humanidade e suas idéias
recalcitrantes.
E meu mundo de famílias é um
tratado em terra inominável
flora inculta e deserta
da beleza incalculada.
Certos sentidos não existirão
em sendas velhas e monásticas
escondidas em mais uma curva
destes sons descartáveis.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Questões, esclarecimentos questórios
por
Sebastião Ribeiro
Tem alguém aí?
Absolutamente, a modernidade é compreensível. O Modernismo também. Não somente a escola artística, mas, enfim, a postura de que seus tempos nos cobrem. Absolutamente, ser moderno é ser sibilino? Impessoal? Pessoalíssimo? Cubo de concreto? Subjetivo? Cheio de idéias limítrofes, passo a noite, e não posso deixar de registrar (por mais fátuo e rotineiro que possa se tornar) na cabeça, o tempo que se processa nas questões fugidias de juventude e auto-consciência.
Máximas à parte, máximas confundem. São verdades que nos constroem, mas entre isto e definitivamente viver/encontrar seu estilo (ainda que escondido), a originalidade se perde. Por isso me pergunto: Ser moderno é ser original? Ser original é ser moderno? Original e humano? Humano é ser moderno? Humano e humano? Calado e humano? Calado?
Pound (o queridinho do meu momento) disse que em um bom escritor escolhe as palavras pelo seu "significado". Aliás, você se lembra disso? :
" Literatura é linguagem carregada de significado"
Ezra Pound
Eis uma máxima que deixa meu coração profuso. É altamente adequada e simples. Ela nos salva de nós mesmos! Mas seguí-la é uma transformação, algo como um cabresto. Viver sua arte vai constantemente se tornar um caminho tortuoso. Virão as questões de utilidade e existência, de certeza e estética, etc. E os olhos de todos, pra quê nos servem? Nos preenchem? Creio que sugerem, certamente, a própria criação. Isto basta? Bastar?! Para quê?.
As pessoas nos consomem, e teorias à parte, existiu um ego-punhal em cada poema, mas hoje há somente um anti-herói de si mesmo, mais público que autor, naquela dúvida que não acaba!
Entender-se ou sentir-se? A técnica com as palavras, os sons e as sugestões se tornaram profissões? Criação quer ser a resposta, coerência pede uma. Lembram de Pound? Sei que aquela imensidão de oceano que há lá fora, é somente, em essência,
hidrogênio hidrogênio oxigênio.
A natureza só pede por expressão.
Absolutamente, a modernidade é compreensível. O Modernismo também. Não somente a escola artística, mas, enfim, a postura de que seus tempos nos cobrem. Absolutamente, ser moderno é ser sibilino? Impessoal? Pessoalíssimo? Cubo de concreto? Subjetivo? Cheio de idéias limítrofes, passo a noite, e não posso deixar de registrar (por mais fátuo e rotineiro que possa se tornar) na cabeça, o tempo que se processa nas questões fugidias de juventude e auto-consciência.
Máximas à parte, máximas confundem. São verdades que nos constroem, mas entre isto e definitivamente viver/encontrar seu estilo (ainda que escondido), a originalidade se perde. Por isso me pergunto: Ser moderno é ser original? Ser original é ser moderno? Original e humano? Humano é ser moderno? Humano e humano? Calado e humano? Calado?
Pound (o queridinho do meu momento) disse que em um bom escritor escolhe as palavras pelo seu "significado". Aliás, você se lembra disso? :
" Literatura é linguagem carregada de significado"
Ezra Pound
Eis uma máxima que deixa meu coração profuso. É altamente adequada e simples. Ela nos salva de nós mesmos! Mas seguí-la é uma transformação, algo como um cabresto. Viver sua arte vai constantemente se tornar um caminho tortuoso. Virão as questões de utilidade e existência, de certeza e estética, etc. E os olhos de todos, pra quê nos servem? Nos preenchem? Creio que sugerem, certamente, a própria criação. Isto basta? Bastar?! Para quê?.
As pessoas nos consomem, e teorias à parte, existiu um ego-punhal em cada poema, mas hoje há somente um anti-herói de si mesmo, mais público que autor, naquela dúvida que não acaba!
Entender-se ou sentir-se? A técnica com as palavras, os sons e as sugestões se tornaram profissões? Criação quer ser a resposta, coerência pede uma. Lembram de Pound? Sei que aquela imensidão de oceano que há lá fora, é somente, em essência,
hidrogênio hidrogênio oxigênio.
A natureza só pede por expressão.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Pequena coisa incerta textual constante obsedante esquecível
por
Sebastião Ribeiro
Abri e escolhi escrever sobre "Destino". Dele só sei o agora: um energúmeno-infantil jovem e sua voz aguda, suas palavras arrastadas, por vezes ininteligíveis. À tarde depois do almoço, aliás, faltou água. Aliás, Pound diz coisas que me entortam, logo depois de ter me redimido e escrito dois poemas melhores que os dois últimos excluidos, atenção com a lixeira. E molengo e cru, só volto a busca. Destino é a busca. Quis ele no acaso aparecer debaixo de meu cursor. E não existe já mais nada, vocês vêm que tudo também não acaba, a contradição ambulante também. Encontrada a certeza, só o que tens nas mãos é mutável. Achei que expondo minha lírica ao mundo a liberdade me tomaria, mas, bem, ainda tem uma perna presa na porta da sala. Não sou um ensaísta, nem um intelectual, por enquanto ainda só me resta este tapete, em cima de mim. Pó, pó, pó! E cada verso é uma garrinha que risca o chão e se repete, só há isto a fazer. Quem vai me levantar do chão? Precisa? Estou buscando e isto que resta.
Luto e vomito, estou aqui, a saber.
Luto e vomito, estou aqui, a saber.
terça-feira, 31 de março de 2009
Utilidade doméstica
por
Sebastião Ribeiro
Última aula, noite, morfossintaxe. Entre morfema, gramema, lexema... dilema!
O sentido é aquilo que te leva a uma referência. Uma explicação/motivo muito aplicável ao fazer poético. Noites e viagens de ônibus comigo pensando: tudo que faço tem uma função? Hoje pela manhã esboçou-se uma resposta: mexemos com delicadezas, sutilidades, intuições, instintos. Mesmo que um Messiah apareça, mesmo que explique os versos que surgem pelo mundo afora, não nos atingirá com a clareza ofuscante da lógica. Temos que considerar esta espécie de silêncio, mas prefiro considerar tudo isto uns sons de fluidos corporais. São nítidos e presentes; os sentimos, mas não os vemos, estão aqui, essenciais e às vezes esquecidos.
Já ouvi Paulo Leminski dizer: A poesia foi feita pras coisas sem porquê. Pra que porquê? Sábio e sucinto, pop e clássico, o poeta. E como venho aprendendo, todo conceito é uma ficção. Ele existe para que saibamos lidar com as coisas. Só me resta dizer que sou um privilegiado por lidar com as coisas inefáveis. Quase um neurônio, quase uma unidade, onipotência. Sou livre.
O sentido é aquilo que te leva a uma referência. Uma explicação/motivo muito aplicável ao fazer poético. Noites e viagens de ônibus comigo pensando: tudo que faço tem uma função? Hoje pela manhã esboçou-se uma resposta: mexemos com delicadezas, sutilidades, intuições, instintos. Mesmo que um Messiah apareça, mesmo que explique os versos que surgem pelo mundo afora, não nos atingirá com a clareza ofuscante da lógica. Temos que considerar esta espécie de silêncio, mas prefiro considerar tudo isto uns sons de fluidos corporais. São nítidos e presentes; os sentimos, mas não os vemos, estão aqui, essenciais e às vezes esquecidos.
Já ouvi Paulo Leminski dizer: A poesia foi feita pras coisas sem porquê. Pra que porquê? Sábio e sucinto, pop e clássico, o poeta. E como venho aprendendo, todo conceito é uma ficção. Ele existe para que saibamos lidar com as coisas. Só me resta dizer que sou um privilegiado por lidar com as coisas inefáveis. Quase um neurônio, quase uma unidade, onipotência. Sou livre.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Últimos meses
por
Sebastião Ribeiro
Escritório, Centro, ônibus amarelos, verdes, vermelhos, azuis. Cadeiras azuis, paredes brancas. Professores que falam, alunos que saem, chefe que berra. O computador em espera.
Às vezes, alguns senhores em alta definição, nus para mim, servidos para mim. Tempo passa. O estômago vazio. O espelho nem em mim está mais. Uma vez um assalto, uma vez noite, uma vez, temporal! Todos esperando, todos em minhas férias. Tudo que já foi dito, um livro escondido, agora... escrito! Um blog construído, admiradores desconhecidos. Brigas fraternais, uma paixão caída, um namoro cinza.
O ritmo adere ao concreto, toma a forma da curva, a vida vira pó de cimento, a vida não quer nada, a vida só está aqui.
Às vezes, alguns senhores em alta definição, nus para mim, servidos para mim. Tempo passa. O estômago vazio. O espelho nem em mim está mais. Uma vez um assalto, uma vez noite, uma vez, temporal! Todos esperando, todos em minhas férias. Tudo que já foi dito, um livro escondido, agora... escrito! Um blog construído, admiradores desconhecidos. Brigas fraternais, uma paixão caída, um namoro cinza.
O ritmo adere ao concreto, toma a forma da curva, a vida vira pó de cimento, a vida não quer nada, a vida só está aqui.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Escrito e postado (ponto final!)
por
Sebastião Ribeiro
Na última aula de Teoria Literária que tive, me disseram que a literatura é despida de um caráter 'utilitarista'; na verdade há para compensar, um 'efeito'. Já estamos com os olhos cansados disso, você usa uma colher como quiser, se quiser usá-la. Mas o busílis é que este 'efeito', como em tudo que é subjetivo e que não olhamos vendendo ou pedindo coisas pela rua, bem, quando passeamos pelo Centro da cidade só testemunhamos o elementar, captado rapidamente e descartado tão quanto rapidamente. Assim, quem sou eu para saber se você se reinventa e reconsidera como humano (ou bicho que seja...) todos os dias antes de dormir ou da ablução. Existe linguagem para todo tipo de juízo, só alguns eleitos têm o talento para o futuro. Mas enquanto você se vê no espelho e ainda espera que seus olhos te digam algo... eles só te gritarão quando eles estiverem esquecidos, somente ocupados para falar a verdade.
O que não nos pertence pode beirar as mãos à noite ou quando só existem vontades absortas pelo vento que leva, assim como traz pensamentos. O que você entendeu por isso? Já não importa. Cheguem o Armagedon e a quista hecatombe: vivi verdade por entre todos.
Até.
O que não nos pertence pode beirar as mãos à noite ou quando só existem vontades absortas pelo vento que leva, assim como traz pensamentos. O que você entendeu por isso? Já não importa. Cheguem o Armagedon e a quista hecatombe: vivi verdade por entre todos.
Até.
terça-feira, 17 de março de 2009
Surgir!
por
Sebastião Ribeiro
O entusiasmo está escondido em alguma tábua por aí. Por entre os dias me conto de quanto em quanto tempo me pertence a certeza, que se desliga da sua ligação com a verdade, e os risos que me aquecem uma vez e quando não entendem a medida da realidade a que pertence essa matéria com que se lida com certa dificuldade, algo entre a inspiração e a rotina.
Em silêncio, espero, o dia em que o lamento se manterá torto (penso ser hoje), mas não estamos lidando com sobrenaturezas ou deformidades nem formas dantescas, elas me esquecem pelo mesmo caminho estranho e coberto de folhas que me conduz à perfeição intima, a expressão outra que me faz doutros, enorme e linear no sentido fluido que me leva ao que desejo e seguro, o poema.
Voltas e voltas, círculos
profundos, mundos espirais, até
hoje nem me sento ereto por
aquela parede de tijolos mortos, entre o
caminho da hélice que permuta a
cabeça.
Esqueço.
Até.
Em silêncio, espero, o dia em que o lamento se manterá torto (penso ser hoje), mas não estamos lidando com sobrenaturezas ou deformidades nem formas dantescas, elas me esquecem pelo mesmo caminho estranho e coberto de folhas que me conduz à perfeição intima, a expressão outra que me faz doutros, enorme e linear no sentido fluido que me leva ao que desejo e seguro, o poema.
Voltas e voltas, círculos
profundos, mundos espirais, até
hoje nem me sento ereto por
aquela parede de tijolos mortos, entre o
caminho da hélice que permuta a
cabeça.
Esqueço.
Até.
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