Monturos de confusão ainda sobressaem das nuvens (Isto não é exato, nem preciso. Inteligível?). Até onde posso beber de Pound ou Maiákovski, o que me espera é que:
1. Sou um homem sem imagens na cabeça;
2. Creio que todas as tentativas estuam em niilismo;
3. Minha alma é propensa a leituras que esparsam a vontade de escrever, mas não a concretizam.
Oh, tudo é tão delicado... Das minhas mãos tão presentes até as burocracias que me fazem sangrar. E o amor, o amor! Para amar alguns corpos (como Baudelaire sugeriu, de certa forma o mundo considera certos amores infectos...) preciso lavar, esconder ou cortar as mãos.
E creiamos que acabaram de ir todos os lirismos da última semana.
Pensemos na cama. Sintamos somente este corpo esparso e carente que inevitavelmente nos pertence, gotejando fluidos, como o que surge de algumas latas de lixo.
Percebemos que concatenação não é um dos meus fortes. Palavras já não se sabem legítimas, quando muito penduradas. Sou um todo inquieto e que caminha para a mudez todas as vezes que grito. Isto é prático e preciso (foi um pedaço daqui posto na tela, e simplesmente poderíamos considerar isto arte).
Quando decidir ou me possibilitar entender a mim ou aos outros, voltarei e anunciarei algo quisto apocalíptico, pois que a beleza idílica ou a poeticidade fácil hoje são um problema.
Não nos percamos: problematização poética ou poeticização do problema?
terça-feira, 30 de junho de 2009
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Cara (sense); coroa (nonsense)
por
Sebastião Ribeiro
Ah, como estou mal posto! Um doce para quem me enfiou neste alfinete!
Pois bem.
Por falta de uma técnica mais técnica, ou de uma retórica mais precisa, ou de uma rima obsedante (procuro o que é obsedante na vida...); ou de uma forma mais essencial... que a carne! Por falta de tudo isso, me peço a dúvida completa que é a coisa mais clara que a solução.
Hoje, de essencial, propenso ou ideal, nem a beleza.
A beleza, que quando bem exposta e recolocada, gravada e ritmada, torna-se uma distração extrasolar de conveniente, quando os olhos se apagam a cada dia.
Tenho dúvidas do que é conveniente na vida.
A vida (agora entendo), é o café da manhã, e é mais vida ainda quando de sono bato a cabeça no aço das janelas dos ônibus. Estamos correndo.
A atual situação de mim é que mastigo a mais ou menos um mês, todos os backspaces possíveis.
Ah, como mal me coloco!
Que situação estranha que os normais não entenderiam. Talvez só a conheçam num outro nível.
Amigo Rimbaud, me escute quando babo os travesseiros (os homens mortos andam me fascinando... Maiakóvski!).
De resto, é isto que ficou dito e não sei como ficou perdido.
De resto é isto, isto palpável, isto, somente isto no sentido deste instante, fique visto!
Isto!
Pois bem.
Por falta de uma técnica mais técnica, ou de uma retórica mais precisa, ou de uma rima obsedante (procuro o que é obsedante na vida...); ou de uma forma mais essencial... que a carne! Por falta de tudo isso, me peço a dúvida completa que é a coisa mais clara que a solução.
Hoje, de essencial, propenso ou ideal, nem a beleza.
A beleza, que quando bem exposta e recolocada, gravada e ritmada, torna-se uma distração extrasolar de conveniente, quando os olhos se apagam a cada dia.
Tenho dúvidas do que é conveniente na vida.
A vida (agora entendo), é o café da manhã, e é mais vida ainda quando de sono bato a cabeça no aço das janelas dos ônibus. Estamos correndo.
A atual situação de mim é que mastigo a mais ou menos um mês, todos os backspaces possíveis.
Ah, como mal me coloco!
Que situação estranha que os normais não entenderiam. Talvez só a conheçam num outro nível.
Amigo Rimbaud, me escute quando babo os travesseiros (os homens mortos andam me fascinando... Maiakóvski!).
De resto, é isto que ficou dito e não sei como ficou perdido.
De resto é isto, isto palpável, isto, somente isto no sentido deste instante, fique visto!
Isto!
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Fim de junho
por
Sebastião Ribeiro
As confissões que ainda restam comportam-se como pedras, mas não como aquelas bonitas, ao Sol, cobertas de musgo; realmente, parecem mesmo com as que ficam no caminho, e a gente chuta, movimenta, e então começa a admirar-lhe a forma ou a cor ou sei lá o quê.
Estão definitivamente sua matéria absoluta e primeira. As confissões, bem... De que valem sem o contexto. Minhas confissões são sobre o mundo.
Estão definitivamente sua matéria absoluta e primeira. As confissões, bem... De que valem sem o contexto. Minhas confissões são sobre o mundo.
Estamos na segunda quinzena de junho, mas já percebo seu fim, não só de mês, mas de tudo.
E sei como sei que o inverno ainda é paradoxo nos trópicos, enfim sei que fujo e não minto em direção ao niilismo. Se bem que não sei se enlouqueço ou não me reconheço; flutuar no silêncio ainda é resposta para todo tipo de amargura ou viagem, de toda temática. Lembro que terminei o segundo livro, e sei-o grande e sincero.
E sei como sei que o inverno ainda é paradoxo nos trópicos, enfim sei que fujo e não minto em direção ao niilismo. Se bem que não sei se enlouqueço ou não me reconheço; flutuar no silêncio ainda é resposta para todo tipo de amargura ou viagem, de toda temática. Lembro que terminei o segundo livro, e sei-o grande e sincero.
Desconfigurou-se minha realidade, minha técnica. Porém como o mundo passa, perderam-se quase todos os sentidos, menos o de perda e o de busca. O que fiz pra isto ser o que é, alguém pergunta. Somente estendi as mãos e procurei uma dor falsa.
Agora é minha carne que precisa de catarse, pois minhas pernas (pedaços de minha mente) se cansam, tão estranhas são as distâncias. Estas distâncias sem termos não têm senso. Meus dedos não o têm também. Meus olhos se escondem meus queridos: quis viver.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Um instante
por
Sebastião Ribeiro
Ontem minha epifania foi o cansaço. A epifania é se perceber mastigado pela burocracia, pelos governos, pelo desinteresse e o barulho que todos ao meu redor depositam no silêncio que cultivei, até pegar aquele ônibus que no infinito surge e da demora se destaca; ele é uma carcaça e eu, seu miolo.
Meus dias de poeta se acabam, pois o que deve ser ouvido? O que de mim merece ser dito? Eu minto? Retorno ao silêncio, que é absoluto, e certo estou que no escuro sempre entendo a tudo e todos. Por quê?
A coragem em me matar foi afogada por Deus, Ele bem sabe. E sei que dum profundo céu preciso, para esquecer a juventude que pulsa e os amores não tidos e os sonhos não construídos e as memórias puídas... Sei que sou pouco enquanto a vida me desloca sem pedir permissão ao meu senso de direção.
Enfim de um equilíbrio tolo estou vivendo, talvez só precise de uma boca em meu pescoço. Enfim de um equilíbrio tolo estou fazendo o que acho melhor e meu corpo entende: continuar a passar.
Meus dias de poeta se acabam, pois o que deve ser ouvido? O que de mim merece ser dito? Eu minto? Retorno ao silêncio, que é absoluto, e certo estou que no escuro sempre entendo a tudo e todos. Por quê?
A coragem em me matar foi afogada por Deus, Ele bem sabe. E sei que dum profundo céu preciso, para esquecer a juventude que pulsa e os amores não tidos e os sonhos não construídos e as memórias puídas... Sei que sou pouco enquanto a vida me desloca sem pedir permissão ao meu senso de direção.
Enfim de um equilíbrio tolo estou vivendo, talvez só precise de uma boca em meu pescoço. Enfim de um equilíbrio tolo estou fazendo o que acho melhor e meu corpo entende: continuar a passar.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Tarde quente, sentido vibrante
por
Sebastião Ribeiro
Ando me lembrando da frase famosa de Pound: " Literatura é linguagem..." . Fim de semana passado, meu aniversário, encontramos, eu e meus amigos, por acaso, um dos poetas da expressão atual da poesia maranhense, Natinho Costa. Pensei, que incrível oportunidade poder conversar um pouco com um dos artistas de minha terra, que pensava eu, inacessivéis. Conversando, rindo e lembrando, cheguei a uma das máximas da escrita, o sentido. O sentido que há nas paredes e no asfalto, o sentido dos homens e das reticências, suas vírgulas e seus et coetera. Sentido este que evoca tudo que é primitivo, dos instintos, isto incluindo o instinto da palavra, e poesia é isto.
Existe um texto ótimo que Arnaldo Antunes escreveu e saiu na revista Oca das Letras, e ele fala bem disto. Com a poesia, recuperamos o aspecto e a função primeiras perdidas das palavras. E o que constatamos hoje em linguagem mundo afora não passa de um sinal dos tempos. As palavras também são testemunhas e vítimas do uso e do desuso da condição humana.
Viver - literariamente falando - a escrita em suas modalidades de uma forma que registre este acontecimento é muito bom, mais que isso, necessário. Mas as palavras não são somente sons, e tentar compreender e captar melhor o instinto da palavra é fazer valer a discernimento completo da mente e do prazer humano. Estamos assim, nos libertando de amarras sutis, que não nos permitem absorver melhor o sentido múltiplo da poesia, e da vida, porque não. Este instinto da palavra, acredito, é a mesma manifestação que acomete os bons poetas na unidade presente em cada Criação.
Existe um texto ótimo que Arnaldo Antunes escreveu e saiu na revista Oca das Letras, e ele fala bem disto. Com a poesia, recuperamos o aspecto e a função primeiras perdidas das palavras. E o que constatamos hoje em linguagem mundo afora não passa de um sinal dos tempos. As palavras também são testemunhas e vítimas do uso e do desuso da condição humana.
Viver - literariamente falando - a escrita em suas modalidades de uma forma que registre este acontecimento é muito bom, mais que isso, necessário. Mas as palavras não são somente sons, e tentar compreender e captar melhor o instinto da palavra é fazer valer a discernimento completo da mente e do prazer humano. Estamos assim, nos libertando de amarras sutis, que não nos permitem absorver melhor o sentido múltiplo da poesia, e da vida, porque não. Este instinto da palavra, acredito, é a mesma manifestação que acomete os bons poetas na unidade presente em cada Criação.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Novo tempo
por
Sebastião Ribeiro
Descrever e experimentar a existência são o sentido que define o fazer poesia. Longe da fama, do editores, dos festivais e concursos, vejo agora, perto dos vinte e um anos, que leiam e releiam o que escrevo, melhor, o que crio, mas só o que me restará é a certeza que sou um poeta. A visibilidade de qualquer maneira já não mais me atrai, e o que me faz continuar é a criação: sentir-me na novidade de cada dia e de cada pessoa, munido de olhos que não se esvairão em qualquer oportunidade; dizer a verdade, a mim mesmo ao menos, e sentir-me menos desamparado neste mundo. Concordo do fundo do peito com o que disse Léon Bloy, "Mesmo que não tivesse um único leitor, continuaria escrevendo, porque a verdade tem de ser dita nem que seja às pedras". Tudo isto se torna cada vez mais verdadeiro. Tornar-me melhor e melhor para mim, porque como em vários aspectos da vida, não posso libertar o criar poesia dos exercícios do ego. Citaria agora Henry Miller, em seu A Hora dos Assassinos, onde encontro reflexões e conceitos que me abriram os olhos e o coração, a alma disse baixinho '-Verdade...'. São tantos fragmentos, que só posso pedir que aqueles que escrevem de verdade e de coração, que leiam, e se ouvirem o âmago sussurrar '- Verdade... ', bem, tenham certeza que algo de superior existe em vossos caminhos.
Neste livro, Miller traça um paralelo entre seu viver e escrever com o viver e escrever de Rimbaud, que concordem ou não, em menor ou em qualquer outro grau, foi o introdutor (afamado, digamos) da linguagem e estética modernista no Ocidente, com sua Uma Temporada no Inferno. Não que me sinta próximo de Rimbaud quanto à sua vida e obra, mas as conclusões e impressões que Miller tira de suas vidas me elevam a uma certeza natural.
Enfim, se a fama que desejo, vier, que seja merecida. Mas principalmente que a sinta e viva, não a force ou a pressinta. Isto é deveras desgastante. Em A Hora dos Assassinos, Miller diz que Rimbaud quando parou de escrever foi buscar a essência perdida no escuro e no silêncio. As linhas de tudo já foram traçadas, estão no futuro e o futuro é Deus, e Deus é a Criação. No escuro e no silêncio digo mais coisas a mim mesmo e ao mundo, que entre todos.
Deixemos estar...
Neste livro, Miller traça um paralelo entre seu viver e escrever com o viver e escrever de Rimbaud, que concordem ou não, em menor ou em qualquer outro grau, foi o introdutor (afamado, digamos) da linguagem e estética modernista no Ocidente, com sua Uma Temporada no Inferno. Não que me sinta próximo de Rimbaud quanto à sua vida e obra, mas as conclusões e impressões que Miller tira de suas vidas me elevam a uma certeza natural.
Enfim, se a fama que desejo, vier, que seja merecida. Mas principalmente que a sinta e viva, não a force ou a pressinta. Isto é deveras desgastante. Em A Hora dos Assassinos, Miller diz que Rimbaud quando parou de escrever foi buscar a essência perdida no escuro e no silêncio. As linhas de tudo já foram traçadas, estão no futuro e o futuro é Deus, e Deus é a Criação. No escuro e no silêncio digo mais coisas a mim mesmo e ao mundo, que entre todos.
Deixemos estar...
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Mim quer ver o Sol, mim quer ver o Sol!
por
Sebastião Ribeiro
Aqui está um comentário que um Anônimo pôs em meu post, intitulado "Utilidade doméstica". Na íntegra:
"Anônimo disse...
Prezado amigo, vc pensa demais, procure apenas observar o nascer do Sol em cada dia e diga a si mesmo " obrigado Senhor, continuo vivo " simplicidade, talvez seja a chave maior para o reconhecimento pessoal...um abraço "
24 de Abril de 2009 14:27
Ai, este tal do reconhecimento pessoal ainda me mata.... ui, ui!
Mas, here we go!
Sugeriram-me simplicidade, e tenho que dizer-vos algo revelador e chocante; por favor, impeçam os homens de jogarem-se ou as mulheres de ingerir cianureto: MINHA LINGUAGEM NÃO É EXATA! Explico.
Simplicidade é o quê? Meio mediocridade ou um tom pastel? Uma estrutura manipulável? Creio que tomadas as proporções, esta pergunta é a resposta. Você quem concebeu a dúvida, não constrói a solução? A poesia é dominável, mas dificilmente manipulável. Meu poder é sobre a construção. O propósito está na criação, e não na construção. Propósito é intenção, não é? Creio que também já disse, aqui ou em meus sonhos, que lido com miudezas, sutilezas, algos inefáveis. É outro Universo, revisitado e discutido, mas não por mim inventado. Construído... Está além. Do momento em que distorço o caminho natural da concepção de um poema, os dedos se voltam para mim mesmo. Manjam não poderem ultrapassar os penhascos nos videogames? Muito parecido!
Cidadão, você não constrói com alguma intenção? Aí a questão é idiossincrásica: comigo não é assim. Porém é sempre delicioso recordar que nada neste pedaço de torrão chamado Terra, é absoluto. Que venha Aquiles e seu calcanhar!
Poeta nenhum nasceu para despertar poesia em alguém normal. Normal que digo, é aquele indivíduo cotidiano, burocrático, prático demais, enfim, um expert! É isso que o mundo dos homens quer.
Concordo em gênero e número que existem dois tipos de poeta: os que leem e os que criam. O Mundo das Idéias e o Paraíso continuam além, é este o sentido, é este o motivo pelo qual ainda estamos nos traduzindo... E na língua do homem só existe uma concepção simplista e esperada, além do silêncio: o desconhecido.
"Anônimo disse...
Prezado amigo, vc pensa demais, procure apenas observar o nascer do Sol em cada dia e diga a si mesmo " obrigado Senhor, continuo vivo " simplicidade, talvez seja a chave maior para o reconhecimento pessoal...um abraço "
24 de Abril de 2009 14:27
Ai, este tal do reconhecimento pessoal ainda me mata.... ui, ui!
Mas, here we go!
Sugeriram-me simplicidade, e tenho que dizer-vos algo revelador e chocante; por favor, impeçam os homens de jogarem-se ou as mulheres de ingerir cianureto: MINHA LINGUAGEM NÃO É EXATA! Explico.
Simplicidade é o quê? Meio mediocridade ou um tom pastel? Uma estrutura manipulável? Creio que tomadas as proporções, esta pergunta é a resposta. Você quem concebeu a dúvida, não constrói a solução? A poesia é dominável, mas dificilmente manipulável. Meu poder é sobre a construção. O propósito está na criação, e não na construção. Propósito é intenção, não é? Creio que também já disse, aqui ou em meus sonhos, que lido com miudezas, sutilezas, algos inefáveis. É outro Universo, revisitado e discutido, mas não por mim inventado. Construído... Está além. Do momento em que distorço o caminho natural da concepção de um poema, os dedos se voltam para mim mesmo. Manjam não poderem ultrapassar os penhascos nos videogames? Muito parecido!
Cidadão, você não constrói com alguma intenção? Aí a questão é idiossincrásica: comigo não é assim. Porém é sempre delicioso recordar que nada neste pedaço de torrão chamado Terra, é absoluto. Que venha Aquiles e seu calcanhar!
Poeta nenhum nasceu para despertar poesia em alguém normal. Normal que digo, é aquele indivíduo cotidiano, burocrático, prático demais, enfim, um expert! É isso que o mundo dos homens quer.
Concordo em gênero e número que existem dois tipos de poeta: os que leem e os que criam. O Mundo das Idéias e o Paraíso continuam além, é este o sentido, é este o motivo pelo qual ainda estamos nos traduzindo... E na língua do homem só existe uma concepção simplista e esperada, além do silêncio: o desconhecido.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Tirem-lhe o mofo e as teias!
por
Sebastião Ribeiro

( Toulouse-Lautrec, o cara!) www.pathguy.com/lectures/toulouse_lautrec.jpg
Estive meio morto por estes dias. Assim, desconstruído, médio. Vocês sabem quando os pratos escorregam das mãos? Pois é quase isto.É isto que te digo em meio aos laços da cidade. Saiba, pois, que estive pensando não mais repetir as palavras, vossos olhos estão cansados. Deixe que eu te leve ao silêncio pelo meu verso inaudito. Você perdeu muitos interesses pelos séculos, ainda te espero. Te cabe mais explicações? Sim, as deixo.
Hoje só existem poetas retóricos, em neon. Só surgem estas placas de ensimesmamento delirante, os poemas parecem pinturas... que não são as de Toulouse-Lautrec! Não me repreendo nem me esqueço. Minha lira é inclusive transição, tentativa, erro, esquecimento.
Tu que me colhes e me aceitas, entendes, que te esclareço (peço por esclarecer-te) que em minhas palavras te carrego e te faço inclusive surgir por entre elas! Me esqueça, se quiseres. Não te esqueça que ainda escrevendo sou pequeno, só subscrevo vossa pequenez.
Tu que lês, não me mortifiques, pois sou somente a tentativa de nos unirmos.
VIII.
Pura a assíntota de silêncio e vida
do sabor estranho, epifania
da humanidade e suas idéias
recalcitrantes.
E meu mundo de famílias é um
tratado em terra inominável
flora inculta e deserta
da beleza incalculada.
Certos sentidos não existirão
em sendas velhas e monásticas
escondidas em mais uma curva
destes sons descartáveis.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Questões, esclarecimentos questórios
por
Sebastião Ribeiro
Tem alguém aí?
Absolutamente, a modernidade é compreensível. O Modernismo também. Não somente a escola artística, mas, enfim, a postura de que seus tempos nos cobrem. Absolutamente, ser moderno é ser sibilino? Impessoal? Pessoalíssimo? Cubo de concreto? Subjetivo? Cheio de idéias limítrofes, passo a noite, e não posso deixar de registrar (por mais fátuo e rotineiro que possa se tornar) na cabeça, o tempo que se processa nas questões fugidias de juventude e auto-consciência.
Máximas à parte, máximas confundem. São verdades que nos constroem, mas entre isto e definitivamente viver/encontrar seu estilo (ainda que escondido), a originalidade se perde. Por isso me pergunto: Ser moderno é ser original? Ser original é ser moderno? Original e humano? Humano é ser moderno? Humano e humano? Calado e humano? Calado?
Pound (o queridinho do meu momento) disse que em um bom escritor escolhe as palavras pelo seu "significado". Aliás, você se lembra disso? :
" Literatura é linguagem carregada de significado"
Ezra Pound
Eis uma máxima que deixa meu coração profuso. É altamente adequada e simples. Ela nos salva de nós mesmos! Mas seguí-la é uma transformação, algo como um cabresto. Viver sua arte vai constantemente se tornar um caminho tortuoso. Virão as questões de utilidade e existência, de certeza e estética, etc. E os olhos de todos, pra quê nos servem? Nos preenchem? Creio que sugerem, certamente, a própria criação. Isto basta? Bastar?! Para quê?.
As pessoas nos consomem, e teorias à parte, existiu um ego-punhal em cada poema, mas hoje há somente um anti-herói de si mesmo, mais público que autor, naquela dúvida que não acaba!
Entender-se ou sentir-se? A técnica com as palavras, os sons e as sugestões se tornaram profissões? Criação quer ser a resposta, coerência pede uma. Lembram de Pound? Sei que aquela imensidão de oceano que há lá fora, é somente, em essência,
hidrogênio hidrogênio oxigênio.
A natureza só pede por expressão.
Absolutamente, a modernidade é compreensível. O Modernismo também. Não somente a escola artística, mas, enfim, a postura de que seus tempos nos cobrem. Absolutamente, ser moderno é ser sibilino? Impessoal? Pessoalíssimo? Cubo de concreto? Subjetivo? Cheio de idéias limítrofes, passo a noite, e não posso deixar de registrar (por mais fátuo e rotineiro que possa se tornar) na cabeça, o tempo que se processa nas questões fugidias de juventude e auto-consciência.
Máximas à parte, máximas confundem. São verdades que nos constroem, mas entre isto e definitivamente viver/encontrar seu estilo (ainda que escondido), a originalidade se perde. Por isso me pergunto: Ser moderno é ser original? Ser original é ser moderno? Original e humano? Humano é ser moderno? Humano e humano? Calado e humano? Calado?
Pound (o queridinho do meu momento) disse que em um bom escritor escolhe as palavras pelo seu "significado". Aliás, você se lembra disso? :
" Literatura é linguagem carregada de significado"
Ezra Pound
Eis uma máxima que deixa meu coração profuso. É altamente adequada e simples. Ela nos salva de nós mesmos! Mas seguí-la é uma transformação, algo como um cabresto. Viver sua arte vai constantemente se tornar um caminho tortuoso. Virão as questões de utilidade e existência, de certeza e estética, etc. E os olhos de todos, pra quê nos servem? Nos preenchem? Creio que sugerem, certamente, a própria criação. Isto basta? Bastar?! Para quê?.
As pessoas nos consomem, e teorias à parte, existiu um ego-punhal em cada poema, mas hoje há somente um anti-herói de si mesmo, mais público que autor, naquela dúvida que não acaba!
Entender-se ou sentir-se? A técnica com as palavras, os sons e as sugestões se tornaram profissões? Criação quer ser a resposta, coerência pede uma. Lembram de Pound? Sei que aquela imensidão de oceano que há lá fora, é somente, em essência,
hidrogênio hidrogênio oxigênio.
A natureza só pede por expressão.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Pequena coisa incerta textual constante obsedante esquecível
por
Sebastião Ribeiro
Abri e escolhi escrever sobre "Destino". Dele só sei o agora: um energúmeno-infantil jovem e sua voz aguda, suas palavras arrastadas, por vezes ininteligíveis. À tarde depois do almoço, aliás, faltou água. Aliás, Pound diz coisas que me entortam, logo depois de ter me redimido e escrito dois poemas melhores que os dois últimos excluidos, atenção com a lixeira. E molengo e cru, só volto a busca. Destino é a busca. Quis ele no acaso aparecer debaixo de meu cursor. E não existe já mais nada, vocês vêm que tudo também não acaba, a contradição ambulante também. Encontrada a certeza, só o que tens nas mãos é mutável. Achei que expondo minha lírica ao mundo a liberdade me tomaria, mas, bem, ainda tem uma perna presa na porta da sala. Não sou um ensaísta, nem um intelectual, por enquanto ainda só me resta este tapete, em cima de mim. Pó, pó, pó! E cada verso é uma garrinha que risca o chão e se repete, só há isto a fazer. Quem vai me levantar do chão? Precisa? Estou buscando e isto que resta.
Luto e vomito, estou aqui, a saber.
Luto e vomito, estou aqui, a saber.
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