quinta-feira, 28 de março de 2019
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
These poems/ Esses poemas [June Jordan]
por
Sebastião Ribeiro
Esses poemas
são coisas que faço
no escuro
para te alcançar
quem quer que sejas
e
estás pronto?
Esses poemas
são pedras na água
que corre
esses versos esqueléticos
são braços desesperados por minha ânsia e amor.
Eu sou um estranho
aprendendo a adorar os estranhos
ao meu redor
quem quer que sejas
quem quer que eu me torne.
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These poems
they are things that I do
in the dark
reaching for you
whoever you are
and
are you ready?
These words
they are stones in the water
running away
These skeletal lines
they are desperate arms for my longing and love.
I am a stranger
learning to worship the strangers
around me
whoever you are
whoever I may become.
June Jordan (1936 - 2002)
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Conheça mais sobre a autora em seu site oficial aqui (em inglês) e neste perfil do blog Escamandro, aqui (em português).
sexta-feira, 11 de janeiro de 2019
historieta / joke [Maggie Smith]
por
Sebastião Ribeiro
No que acho ser um
sonho,
vejo uma
manifestação do passado
& digo, sei
que você não é real. Tenho que dizer.
Como
a maioria das coisas de sonho, o passado
remodela-se,
reconstitui-se com novos
olhos
& novo penteado – o passado
transformado
– & então esqueço seu nome.
Esqueço
o que estou fazendo com ele.
Como é mesmo aquela historieta sobre o rio?
Não
é assim, uma piada, não mais que o passado
seja
mesmo passado – aquela
sobre a água nunca
ser
a mesma água. E ao passo que corre,
a
corrente do rio – agora, isso sim
é uma piada –
está
sempre passando agora agora agora. Depois
das
sete, quando acordo do que acho que
seja
um sonho – sonho onde digo ao passado
a
verdade sobre ele mesmo – ele é o presente
de
sempre. Não há passado.
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Joke
In what I think is a
dream,
I look at some
manifestation of the past
& say, I know
you’re not real. Someone has to.
As most dream-things
do, the past
shapeshifts,
reconstitutes itself with new
eyes & a new
haircut—the past
made over—& then I forget its name.
I forget what I’m
doing with the past.
What is that joke
about the river?
It’s not really a
joke, no more than the past
is really past—the
one about water never
being the same
water. As it flows past,
the river’s
current—now that’s a joke—
is always flowing
now, now, now. Past
seven, when I wake
from what I think
is a dream—a dream
where I tell the past
the truth about
itself—it is the present
as it always is.
There is no past.
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Conheça melhor a autora AQUI (en español) e AQUI (in English).
sexta-feira, 7 de dezembro de 2018
um livro de música / a book of music [Jack Spicer]
por
Sebastião Ribeiro
Chegando a um fim, os amantes
exaustos como
se houvessem nadado. Onde
acabou? Não houve
anúncio. Amor algum
é oceano de
procissão tonteada no limite das ondas
onde os dois
emergem exauridos, nem longo adeus
como a morte.
Chegando a um fim.
Bem, eu diria, como a altura de
um rolo de corda
que não disfarça
na ponta das tranças
seus fins.
Mas, você dirá,
nós amamos
e algumas partes de
nós amaram
e o resto de nós
permanecerá
duas pessoas. Sim,
a poesia termina
como uma corda.
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Coming at an end, the lovers
Are exhausted like
two swimmers. Where
Did it end? There
is no telling. No love is
Like an ocean with
the dizzy procession of the waves’ boundaries
From which two can
emerge exhausted, nor long goodbye
Like death.
Coming at an end.
Rather, I would say, like a length
Of coiled rope
Which does not
disguise in the final twists of its lengths
Its endings.
But, you will say,
we loved
And some parts of us
loved
And the rest of us
will remain
Two persons. Yes,
Poetry ends like a
rope.
***
Para saber mais do autor, ler esta ótima introdução da revista Modo de Usar & co.
quinta-feira, 22 de novembro de 2018
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
medo
por
Sebastião Ribeiro
à boca da cachoeira estão as palavras. o pesado silêncio está nos anos imensos dentro das pedras. o corpo dói prevendo a queda: d'água, abismada.
o mundo sorve meu riso pouco, o grito pequeno. sobrevoo micro-suficiências. oro feito uma folha velha pela sorte dos meus, por nossa vida.
momentos se acumulam sob explosões desentendidas. o peso do medo mastiga minhas costas. me equilibro entre o mergulhar e o sumir.
quinta-feira, 13 de setembro de 2018
escrever 2
por
Sebastião Ribeiro
![]() |
| PHOTOMOSH em foto de Craig Cooper on Unsplash |
Luto contra ou por um temor. Se é perda, euforia, cegueira ou canibalismo, não consigo avaliar. Talvez seja tudo. E mais um pouco.
Não desvio mais do silêncio. Porém, reflito: até quando dorme, até onde chega. De qual intenção é, para que, alguém ganhará algo disso?
Os dias pesam em meu estômago, não parecem nem alegria nem tristeza, nem aparente motivo (que se foda o poeta, Cecília.)... Os dias pesam no remodelo do futuro.
Os dias: eu os sorvo, os digo, não os conto.
Os dias: eu os sorvo, os digo, não os conto.
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
escrever
por
Sebastião Ribeiro
Escrever -- necessito. Mas sem acreditar no que vejo. Esperar os estalos sem surpresa. Correr de algo, sem esperança.
Escrever como quem não desiste, mas aguarda. Como quem afasta, mas nutre. Que a vida não faça aquela curva que nos apresenta o precipício.
Escrever, mas como quem gora. Como quem se judia, se morde. Escrever como quem tropeça e vê que a pedra é o futuro e não será terra para vermes antes de nós.
domingo, 1 de julho de 2018
[uma viagem de metrô]/ [a subway ride], Joseph O. Legaspi
por
Sebastião Ribeiro
Sua
maestralmente desarrumada loiríssima cabeça sustenta fones de
ouvido gigantes. Como um busto contemporâneo. Vejo a inocência das
sardas, a boca túrgida, vermelha e madura. Como se a mera visão do
mundo o machucasse, ele semicerra ingenuamente os olhos e aplica
colírio. Você sonha com ele chorando por você. Pela duração de
uma viagem de metrô você se apaixona cegamente. Até que ele desça.
Ou até que você desça, indo pra casa ao que você realmente ama
para feri-lo.*
His artfully unkempt
strawberry blonde head sports outsized headphones. Like a
contemporary bust. Behold the innocence of the freckles, ripe pout
of cherry lips. As if the mere sight of the world hurts him, he
squints greenly and applies saline drops. You dream him crying over
you. For the duration of a subway ride you fall blindly in love.
Until he exits. Or you exit, returning home to the one you truly
love to ravish him.
§ § §
*Tradução minha de LEGASPI, Joseph O. [a subway ride]. in Subways: Thrush Press, 2013. leia mais sobre o autor aqui (in English).
domingo, 3 de junho de 2018
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