sábado, 13 de março de 2021
terça-feira, 20 de outubro de 2020
30
Je suis esclave de mon baptême
(Arthur Rimbaud)
Pós-chuva
um rastro de beldroegas
pelo bairro que atravessa
o corpo
alguns governos nos levaram
tanto mas não a eterna caça
garras que arranham o self
feito de ledo encanto só
entendo ultimatos no agora
festins fajutos no retrato
que percebo no espelho sujo
de pasta de dente
o alçapão na página permite
um fio de sol derreter minha
suspensa presença
sigo tido sobre anos usados
que insistem ser visagem
na xícara de café
um gole quente me
pressuriza os olhos
aqui sei
fundido
caibo num balde
ferido
ainda há uma rua
mesmo que
por baixo da casa
há incêndios no
peito e no espaço
indagando meus
taquicar
dias
RIBEIRO, Sebastião. Memento. Guaratinguetá - SP: Editora Penalux, 2020.
domingo, 4 de outubro de 2020
quarta-feira, 1 de julho de 2020
shaking hands / apertar as mãos [Pádraig Ó Tuama]
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| Imagem de terimakasih0 editada por mim em PHOTOMOSH |
27 de junho, 2012
Porque qual a alternativa?
Por causa da coragem.
Por causa dos amados perdidos.
Porque não mais.
Porque é uma coisinha de nada; apertar as mãos; acontece todo dia.
Porque soube de um homem cujas mãos não cessaram de tremer desde um dia de feira em Omagh.
Porque leva um segundo pra se dizer ódio, mas se leva mais, bem mais, para ser um grande líder.
Muito, muito mais.
Porque um espaço compartilhado sem toque humano não é muita coisa.
Porque é mais fácil falar consigo que segurar a mão de alguém cujo lado já foi previamente descrito, condenado, negado.
Porque é difícil.
Porque é difícil.
Porque se pretende difícil e essa é a coisa da memória, da esperança, do gesto, do significar e conduzir.
Porque tem-se levado tanto, tanto tempo.
Porque tem-se levado terra e grana e línguas e barris e barris de sangue.
Porque vidas se perderam.
Porque vidas foram tomadas.
Porque ser despojado é ser afligido por luto.
Porque mais que dois povos apreensivos vivem aqui.
Porque conheço uma mulher cuja mão não é apertada desde que era um homem.
Porque apertar uma mão é só uma parte do começo.
Porque conheço uma mulher cujo toque acalmou um homem de coração partido.
Porque privilégio não deve ser entendido tranquilamente.
Porque isso só pode ser bom.
Porque quem disse que seria fácil?
Porque algumas pessoas amam o que você defende, e para alguns, se você pode, eles podem.
Porque solidariedade são mãos em comum.
Porque uma mão é apenas uma mão; então segure-a.
Então una-se às suas tão discutidas mãos.
Precisamos disso; por um segundinho.
Então toque.
Então conduza.
Because what’s the alternative?
Because of courage.
Because of loved ones lost.
Because no more.
Because it’s a small thing; shaking hands; it happens every day.
Because I heard of one man whose hands haven’t stopped shaking since a market day in Omagh.
Because it takes a second to say hate, but it takes longer, much longer, to be a great leader.
Much, much longer.
Because shared space without human touching doesn’t amount to much.
Because it’s easier to speak to your own than to hold the hand of someone whose side has been previously described, proscribed, denied.
Because it is tough.
Because it is tough.
Because it is meant to be tough, and this is the stuff of memory, the stuff of hope, the stuff of gesture, and meaning and leading.
Because it has taken so, so long.
Because it has taken land and money and languages and barrels and barrels of blood.
Because lives have been lost.
Because lives have been taken.
Because to be bereaved is to be troubled by grief.
Because more than two troubled peoples live here.
Because I know a woman whose hand hasn’t been shaken since she was a man.
Because shaking a hand is only a part of the start.
Because I know a woman whose touch calmed a man whose heart was breaking.
Because privilege is not to be taken lightly.
Because this just might be good.
Because who said that this would be easy?
Because some people love what you stand for, and for some, if you can, they can.
Because solidarity means a common hand.
Because a hand is only a hand; so hang onto it.
So join your much discussed hands.
We need this; for one small second.
So touch.
So lead.
domingo, 14 de junho de 2020
passado
Anos e dias
do lado de fora
este portão à frente
é um escudo
neste lugar excluso
sapateio nas memórias
paixões não sendo fatos
pessoas, significados
marcho pela
rua de meus causos
receio pela fresta
ralha a loucura
por um diáfano
um dia na madrugada
vontade de cantar
nunca alcanço aquela nota
outro dia embalado
no luto que não espero ter
de todos
os passos em dia
além capitulo a uma
espécie de abraço
aforismos em
sachês de açúcar
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in RIBEIRO, Sebastião. Memento. Guaratinguetá - SP: Penalux, 2020
segunda-feira, 25 de maio de 2020
lightning / relâmpago [Witter Bynner]
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| Imagem de sethink editada por mim em PHOTOMOSH |
Há uma solitude em te ver,
seguida de tua companhia quando te vais.
És como um véu celestial de relâmpagos.
Apenas mais tarde é que consigo ver
o quão bonito és.
Há uma cegueira em te ver,
seguida da visão de ti quando te vais.
Lightning
There is a solitude in seeing you,
Followed by your company when you are gone.
You are like heaven’s veils of lightning.
I cannot see till afterward
How beautiful you are.
There is a blindness in seeing you,
Followed by the sight of you when you are gone.
domingo, 17 de maio de 2020
sem título
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| Imagem de anvelru editada por mim em PHOTOMOSH |
sexta-feira, 1 de maio de 2020
O que dizer do Sr. Ribeiro e de seu novo livro?, por Weslley S S Costa*
*Weslley S S Costa é poeta, membro da Academia Vargem-grandense de Letras, componente de Acorde (Scortecci, 2011) e autor de Colham as roupas maduras do varal (Scortecci, 2014).
quinta-feira, 30 de abril de 2020
terça-feira, 14 de abril de 2020
test(amento)emunho
Concluo
o coração está cheio de pensar
nas mãos parece imbricado
no arbusto invisível
fundos duma casa de taipa
para sempre lhe haverá
cobradores prontos a negar
rios de cólera e excretas
em cada homem de pé – em defesa
da base aliada sistema financeiro internacional
e do asteroide insano que não irá nos fritar
se deixo além de suspensões
é um mistério pela metade
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| Imagem de irenesanet editada por mim em PHOTOMOSH |
deixei um teorema violento
e tonitruante a jean franko
e numa caixa
faltas fugindo do tiroteio
to bobby kendall
pela distância de um olhar bêbado
há gotas de dracena me indicando o nife
é possível que encontrem
um armarinho inteiro nas valas cavadas aqui
por esse descontente/indignado alfabetizado
no resto do tacho
me assombra a alegria pentelha
que desonra descontrola e acende
me estica os braços me põe na cama
finalmente
direi do planeta mais próximo
em mim tudo se fumou
sublime autocombustão






