domingo, 21 de abril de 2013

inevitável feito abrir os olhos e ver ou não ver



colhes algumas ideias superficiais sobre a superfície, comparando bochechas e revestimentos antiaderentes, vezenquando se conformando, outrossim se rendendo á beleza do vocábulo 'outrossim'.

consequentemente, enquanto deslizas morro abaixo na consciência, um pouco de sangue na testa te lembra que, fato, revolves questões levemente mais profundas, provável sobre a impossibilidade.  


ab

só no quarto buscas uma voz em sol que te sustente na verdade indominável da impossibilidade. 

uma vez que teus lábios se tornaram polidos ao gosto das panelas de inox, a forma daqueles olhos, daqueles dentes, arrancam qualquer coisa em ti.

arrancam.




sábado, 30 de março de 2013

profit


tem gosto de terra corpo de nuvem mas faça dar certo. o valor dado ao caixa será acurado centavo a centavo. o recado a aula a conferência eficazes convincentes continuações. faça o amor dar certo leia aquele livro de capa rasgada. não queime o arroz não salgue a torta não pareça nada menos ou mais que similarmente estável. não espere nada menos que genial after listening to the dark side of the moon. faça o amor dar certo. seja prince charmant em torre com dragões e espelhos espelhos meus. faça o amor dar certo. os bons-dias serão sempre replicados. a luz sempre perfeita refletida em seu perfil. deus te ama e te prepara um editorial de moda. faça o amor dar certo. não derrame as palavras silêncios o fará.


domingo, 17 de fevereiro de 2013

...e este post é deveras morno para a posição que devo adotar para o próximo livro




A hora e data acima não fará diferença em 10 anos. Referenciá-las me parece uma maneira ingênua de tombar o instante, como se algo de relevante acontecesse em instantes. A questão é: que vida essa que não se galga em coisas relevantes? 

Sinceramente, mesmo que de um jeito tímido, acredito que existir deste modo não vale a pena. Mas, claro não me seduzem (por mais que interessem) questões de suicídios ou dramas existenciais — não neste momento. Quero dizer sobre a falta de palavras para a maioria dos caminhos e gestos que tomo deste espaço que sou e ocupo. 

Há um livro atrás (ando num novo projeto), tomei a atitude franca em assumir erros e ingenuidades em busca de uma explosão, um derramamento, que justificasse e moldasse a necessidade de criar, e assim, dissecar, colorir, obscurecer para libertar, as mesmas horas dos mesmos dias de seu automatismo. Isso já faz 6 meses, creio. A franqueza em assumir uma técnica (uma postura) na composição de tal livro rebanhou de tal forma as palavras e as emoções que me vejo hoje o que chamam poeta. E, gente, que é ser poeta hoje em dia? Que se faz da poesia num lugar como este, em que, no mais das pessoas a inércia se gruda como gordura nas veias? Que se faz de mim, vítima por vezes de tal inércia? *

Leio no momento sobre a Geração Beat: um ensaio sobre ela em si, e também um livro com entrevistas dos grandes nomes: Ginsberg, Ferlinghetti, Kerouac, Corso, McClure, Snyder... Nossa, que sociedade era aquela onde estavam? (Leiamos) O que faziam! (Busquemos) Coisas que dificilmente testemunharia aqui/agora. Eu mesmo cria poder criar alguma mudança, pequena que fosse, visto que esperar alguém que o busque seja curtir o ócio por demais... 

Ainda no fio destas leituras, algo que Snyder disse foi algo como que era possível um movimento daquele, num espaço e tempo como aqueles, da forma como alcançaram as pessoas, não simplesmente porque houve quem desse o primeiro passo, mesmo porque, não esqueçamos, havia a poesia no meio: era possível digeri-la visto que havia estômagos preparados para tanto (claro, estômagos inclinados). E aqui? E agora? Tudo isto escrito até aqui nesta terra, mesmo o que vem de além, que fazer com isso? — pergunta o açougueiro, a costureira, o cobrador. 

Vamos ser francos: ainda que o desejo do artista (hoje) seja compartilhar sua criatura a todo canto, isto demoraria a se tornar um processo natural, demoraria mesmo: seria resposta de variados governos, variadas revoluções, variadas visões, anos se gastando loucamente, enfim, petecas correndo por um ladeira eterna, algo que forçasse a imensa maioria de todos a refletir, duvidar, exigir, multiplicar o conhecimento fino da vida, e não somente, como me parece nestes dias, bípedes caçando prazeres e ponto. Quero um ponto e vírgula. 

A poesia, Deus, sim, ajuda a abrir olhos e corações. A coragem de assumir gramáticas estranhas, posições fora do comum, revelações óbvias (ou não) da linguagem/pensamento/consciência, faz com que continue acreditando no texto poético, e já faz 10 anos e muitas tentações que reconheço isso. É para a tal verdade que corremos loucos para o horizonte. E no afã em dividir descobertas e modos de ver vida/mundo, o artista tateia o escuro em busca da mão do outro, não importa de onde venha, o que seja, o que faça. 

Creio que não me é oportuno queimar minha existência em prol da Grande Mudança, mas se artistas e profissionais do conhecimento, especialmente o humanístico, vertessem parte de sua energia no intuito de mudar um pouco a marcha no cérebro das pessoas, coisas boas e duradouras, no sentido da compreensão de Tudo, surgiriam. Não listarei modos de fazê-lo, porque sei que na base de cada área do conhecimento humano há um espaço que evidencie o porquê da ciência nela própria. 

Através de tudo isto que escrevo (que já não sei se vem do mesmo gatilho), desejo expor uma função desta criação humana chamada texto poético. Seja viagem na beleza, percepção da amargura, seja altos ou baixos, prós e contras, clichês ou não, a poesia, ao modo de uma drágea, contém um grão de algum ativo que faça diferença nos organismos. Por enquanto pode-se dizer que é uma questão de abertura, reconhecimento de tal. Levemos em conta que mesmo placebos, muitas vezes, fazem efeito.

*neste ponto converti meu drive de um relato pessoal para um post-relato pessoal

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

bula ii



faria um bem ~inexplicável~ ao Ego ter atrelado ao seu 1° livro um louro destes do mundo literário. merchandising quase que sem esforço. entretanto, é fato o fato de nem sempre todo o seu taco te garantir uma prêmio desses. a questão de gosto é relativa, já diria o c*. logo, como embalar uma obra poética, sem os louros garantidos, quando nem é unanimidade entre a massa leitora?

acontece que a Arte chama. e demonstra, compara, evoca, ajuda e completa o ser humano. não entrarei em detalhes sobre a Educação pela Arte (e então, pela Poesia), sua função, etc. só queria me lembrar que o que faço ainda é importante sob tanta burocracia no mundo. estou assumindo (mesmo com o espírito soberbo e luxurioso) alguns dos caminhos mais difíceis da vida, neste país, pelo menos: a identidade afetiva, a função laboral e as somas, diferenças, produtos & quocientes: a tal da poesia.

há 6 meses terminei meu 1° livro, que por sua vez demorou quase dois anos para ser composto. já cansei de revisá-lo (logo é provável que algo esteja errado rsrsrs), de pensá-lo, de envolvê-lo em mistério. quer dizer, quase esta última coisa. já assumo suas possíveis falhas, excessos & perspectivas quando de seu compartilhamento no mundo. e não ligo muito para o que pensam/pensarão/pensariam aqueles que só lhe veem os defeitos. graças a Deus, ele tem rachaduras. afinal, o que mais busquei nos 99% de lixo que produzi até chegar a ele foi deixá-lo HUMANO!

então, vazios me adormecem, me cansam, me assombram. a famosa abstinência. já contaram a vocês que uma das melhores coisas de fazer Arte (boa ou ruim) é o processo de criar? melhor ainda, criar refletindo, montando, desmontando, experimentando, selecionando... com textos isto é especialmente interessante. pois é, esta hora vem chegando e se configurando. o 2° rebento quer ser gerado. e senti necessidade de compartilhar isto com alguém. 

[pretendia discorrer sobre tempo, modernidade e juventude como meio de justificativa desta situação, mas acredito que basta por agora dizer aos velhos cultores da poesia e a aqueles que a querem num relicário encrustado de brilhos que, tenho minhas responsabilidades e, por mais que a poesia seja muitas vezes algo mágico, não desejo esperá-la cair do céu ou brotar somente quando o Halley deslizar na distância. a poesia, se bem acolhida por um artista responsável (tipo, eu rsrsrs), não vejo problema em produzir um segundo livro menos de dois anos depois do primeiro, que está pronto, mas nem foi ainda lançado!]

óbvio, cada poeta tem seu tempo, e respeito isso. falo para aqueles que, inacreditavelmente, se incomodam com situações como a minha. de antemão, digo-vos que não almejo produzir 'poesia em massa' (Deus é mais). eu, meio que como Pound pensava, desejo manter a palavra viva e meu tempo e(m) minha existência vivos na palavra. 

não desejo fingir que a poesia ainda é intocável e inacessível. ela é exigida como uma resposta a um insulto, a uma instrução de uma tarefa muito difícil, a uma mensagem definidora, a algo que, se não dito, te fará perder quem ama. 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

fissipene (ou, não se solicita leitura deste texto)






este balão atmosférico ou bateria de carro e motor ou carvão queimando sem fim que Deus me deu encontrou a palavra

compartilhado

para um amor que não foi para mim desenhado nalgum espaço da longitude feita para tudo, menos ao encontrar-se humano.

meu gênio desnutrido, ainda que por Deus dado
encontrou a palavra

dividido

para o amor supracitado

ainda - digo mais - que semi-amargurado ao desespero propício porém assaz em fugir de amores alheios  suculentos desejados 

encontro a palavra

separado

encontro-me Hoje e a palavra

partido

encontro a palavra

quebrado

e também

rasgado

seguido de

ferido

aberto

decepado

abismado

penhasco

(então que um ritmo poético não vale a luta ou a lágrima, as mãos laminadas e sozinhas ou a idade vindo)

algar

queda

           despetalado


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

fuga & espera





Perfume Genius (Mike Hadreas)


Algo simples e forte me impede auto-piedade. Não desejo voltar a tempos chuvosos, mas quando parei para começar a contagem, já se tinham ido 25 anos. E ainda se espera algo: um amor, uma casa, um nome... Entretanto, longe de muitos ouvidos, há uma teoria ágrafa e uma experiência silenciosa que me tomam as mãos. Descrevê-las-ia? Pudesse. Mas não. 

Não.

Não.   

Porque minha existência, embora sempre que possível ter recheio de morangos, cruzar a parada de fanfarras, dormir extasiada, etc., é determinada por falta e espera. A espera existe pelo gesto ceifado, pelo olhar desviado, pela palavra-ricochete. A falta, pelas fugas. E pelas lutas. 

Porque minha existência, embora sempre que possível esta moça de sombrinha num campo de lavandas, este desfile de haute couture, esta espirituosidade característica, etc., é levada a C-R-E-R na febre e dor de cabeça de um achado importante mesmo à minha sobrevivência [aqui metade da espera se vai, mas não tem muito haver com ser feliz].

Porque minha existência, embora sempre que possível blindada pela luz da tarde, cozida com legumes diversos, perfume guardado na camisa daquele cara, etc., conduz majestosamente minha cabeça à C-R-E-N-Ç-A de que nada de errado há comigo ou por aqui, e é natural me verem inofensivo, competente, sorridente, aceito. 

Mas não.

Não.

Não.

Pelo menos pela segunda vez na vida, C-R-E-I-O me ser direito a paranoia. Minha cabeça majestosa: querem-na. Meu achado: esquecido. Minha fanfarra: ossos humanos fundidos aos metais ferventes. 

Pelo menos pela segunda vez na vida, C-R-E-I-O me ser necessário recordar que a vida e o corpo que se destinam ao amor e ao prazer se conhecem tarde, e sem perspectiva de volta. E que não tenho direito a errar por paixões legítimas porque fui/sou um ser que escolheu analisar, silenciar, sufocar ¾ da busca por felicidade pelos métodos conhecidos. Contudo, esta foi uma ÚNICA E-S-C-O-L-H-A ÚNICA.

Pelo menos pela segunda vez na vida, C-R-E-I-O que as respostas não estão na fuga ou na espera. Mas sou livre como uma testemunha que mudou de cidade. Logo quase toda a maior parte do dilema voltará à fuga & espera. 

***


A noite e suas cavernas me esperam em suas negações, fingimentos, esperanças inauditas dentro dos corpos sinuosamente grafados em dance music. Ciente do lado b da existência [diria o amigo Bioque Mesito] permanecerei cunhando um caminho para o líquido mais adequado às expectativas do momento. 

‘Carpe diem’. 

‘Carpe noctem’.

‘a poupança ainda é o melhor investimento para a classe média’.


***

Mas não me esquecer no tempo de areia, não esquecer o amor que me peço e navega nalguma garrafa, não esquecer o sofrimento em drágeas que a verdade insiste oferecer.



sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

*




você é um mar equânime que pede uma coisa qualquer coisa além de paredes 

curioso é permanecer este mar cínico se debatendo num devaneio num espaço de um tempo que nunca te disse pra parar 

crianças morrem e comes hambúrguer 
alguém falou algo sobre um buraco negro?
e as grades daquela escola em ferrugem de 10 anos?
dancefloor

teu problema usa letras & silêncios olhares & gestos sons que fogem mas

ele é incomunicável
provável que não fale português

nem arpad miklos o manteria em seus braços

nem esteja aqui quando fotografarem a camada de teus sonhos diluídos no nife 



segunda-feira, 26 de novembro de 2012

dovetail


Só o que me explicaria agora seria o som de taças quebrando. 

Então, ele recolheria do chão um dos minúsculos pedaços de cristal, e o deslizaria em minha nuca [quero acreditar que é sua boca].

Em tal instante, como se tocasse meus próprios pés ou me sentisse jogado ao sono, não conseguiria negar que preciso encontrar maneira de acoplar nossos poros, visto que lhe quero até os invisíveis pelos louros escorrendo por seus braços. 

Desejo ser leve e simples o bastante para me conformar num casulo.

***

'Jesus, a vida toda esperei por isto? Qual carruagem me leva, que cavalo lhe é ideal?', respondo ao medo de abrir os olhos e assumir de que sonhos são feitos.

***

Passei [e se me conheço, passarei] tantas noites e dias paralisando o olhar naquela reflexão que busca a racionalidade dos gestos, tentando autocontrolar qualquer coisa, me defender de todo aquele arame farpado que creio estar em mim, 

mas

a sensação de vazante dentro do peito é imensa. Faz-me contar as horas, fugir de qualquer coisa construída, porque agora considero consumi(a)r algo, e levanto o pensamento aos céus pedindo ser dobrado como papel de carta antigo, ser guardado rosa num livro grosso, ser eu mesmo caminhando em eternas 16hs.

Eu quero o fogo.


domingo, 18 de novembro de 2012

por que sou insuportável



Digo bom-dia ao cobrador esperando a aposentadoria.
*
Sinto remorso.
*
Constantemente acho que algo não está bom o suficiente.
*
Tenho consciência da frustração.
*
Reconheço que algumas experiências em educação DEVEM ser traumáticas.
*
Não dou o peixe, ensino a pescar (e também reuso lugares comuns).
*
Cultivo uma moderada baixa auto-estima.
*
Reflito alguns conflitos em pornografia.
*
Sinto muita vontade de rasgar algumas coisas à faca, but I couldn't.
*
Conformo-me a esperar.
*
Sei-me enorme.
*
Guardo a certeza que sou do mundo.
*
Incomoda-me mentir desnecessariamente.
*
Tenho problemas com clichês

(e com esta frase, fecharei com chave de ouro).


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

poemas em Macondo n° 6


Poemas inéditos na Macondo n° 6! Espero impressões de vocês. De qualquer forma, em breve escreverei sobre os partos que geraram os textos.

Enjoy it!


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