Adoro este trabalho burocrático. Ocupa meu tempo nas horas esticadas do homem pragmático e se converte em soldos no fim do mês. Lá fora as pessoas pensam em tudo, inclusive carros e roupas, tudo, tudo. Lá foram pensam em sexo e me deixam louco. De raiva. Porque são mascaradas. Outro parágrafo, por favor, que o assunto não era este.
O assunto é a lonjura da verdade. Esta verdade que corre ao mesmo tempo que nós, mas, pra que verdade? Os conceitos e as vontades podem ser tão poderosos que não se dão o luxo de serem mentira ou concretude de uma vez só. Aos poucos, no pensamento, bem sabemos. Assim como bem sabemos que às vezes nos dá preguiça de pensar (e tome serviço!)...
E tome obrigações em uma realidade que se perde lá fora, e mesmo da pior maneira, seria precioso estar lá fora, ao menos um dia, para registrar, condensar tudo que sinto e mal digo. E firo e confiro as tristezas que ficaram em minha juventude recente, como um poema em que eu dizia que ' ele lá fora e eu lia Florbela Espanca'. Bons tempos aqueles, pois sentia que amadurecia, bem que sempre amadureci, posto que derrotas e silêncio não precisam necessariamente preludiar uma desgraça imediata e definitiva. Estamos tratando de vida, e estar assim despercebido dos olhos da realidade é simplesmente viver, como se come arrozfeijãofarofa.
Como este post aqui me despeço, pequeno e meio maltratado. Meio insosso, cheio de dúvidas, cheio de impalpabilidades. Acho que necessito fechar os olhos e me esquecer em outrem, mas muitos estão como já disse, mascarados. Sei que o amor é mãe inteira e sei que o amor não é o mundo, nem um prato que se esquenta no micro-ondas; por isso ainda lamento o fato de estar sozinho, pronto para tudo, para subir ou morrer.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Verme?
por
Sebastião Ribeiro
Eu amo o Outro
este Invisível e Presente
homem todo longe
daqui.
Amo-o com a razão
de um dia
que se acaba;
sou-o, mas não sabe.
Crente que o amor
não é fugaz nem
cinzento,
sinto informá-lo
que estou profuso
de sentido
como
as Montanhas Vermelhas
de Madagáscar
(sinto muito).
Sei-o como se sabe
um poema
ao mesmo tempo tão
meu,
embora ferida aberta
para o mundo,
e nada me servem
autorias e desastres
se continuo mudo
em sentido preso:
como ele,
Inexistente
até ponto das noites
ou dos carros
ou dos insetos.
Ele não vive
senão do que
como e sonho.
este Invisível e Presente
homem todo longe
daqui.
Amo-o com a razão
de um dia
que se acaba;
sou-o, mas não sabe.
Crente que o amor
não é fugaz nem
cinzento,
sinto informá-lo
que estou profuso
de sentido
como
as Montanhas Vermelhas
de Madagáscar
(sinto muito).
Sei-o como se sabe
um poema
ao mesmo tempo tão
meu,
embora ferida aberta
para o mundo,
e nada me servem
autorias e desastres
se continuo mudo
em sentido preso:
como ele,
Inexistente
até ponto das noites
ou dos carros
ou dos insetos.
Ele não vive
senão do que
como e sonho.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Hei, hoje!
por
Sebastião Ribeiro
Pelo dito e pelo não dito, mais uma vez estou aqui, crente que ao meu redor não existem trevas suficientes para abarcar-me... mas elas de fato estão muito fracas. E assim, propositalmente, sei que não estou arrebatado deveras para encher-lhes os olhos de luz e cor, mas pretendo continuar a tecer meu papel crítico frente ao que ainda faço: poesia.
Talvez não publique aqui tantos poemas, porque sinto que a linguagem proseada é mais eficiente para um primeiro contato; porém, especialmente porque vivo em constante reavaliação dos processos de criação. Porque vivo na pós-modernidade. Ontem durante uma aula, me abriram bem coração para isto. Então compreendi que meu silêncio, que tantas vezes compromete meu desejo de expressão, é resultado da condensação de tanta ânsia e de tanta pressão e de tanta pressa e de tanta verdade e de tanta asma, e isto faz com que acerte no que Meschonnic escreveu:
entre cada palavra um deserto
no interior das palavras o
deserto
e em cada letra eu
sou grato
ao silêncio
por tudo o que me permitiu
gritar
Henri Meschonnic
Não posso tomar uma decisão peremptória e corrente para meus rumos se estou emocionalmente e estupidamente envolvido em meu tempo (eita, que isto de pós-modernidade quebra meus dentes). Depois de dois livros prontos e muitas reinvenções, sei que a verdade é quista de uma maneira muitas vezes ilusória, mas ela é extremamente necessária à minha pessoa, e à de muitas ainda, por isso acredito na qualidade do eterno.
Então é claro o desafio, que enquanto estamos vivendo com esta libido para escrever, muitas dúvidas surgirão, mas grandes escritores são os que conseguirão persuadir estas paredes e montar sobre o entulho. A magnificência do mundo, para nós, escritores que procuram retratar seu tempo com compreensão, está provavelmente depois de nossos corpos. Entretanto somente viver nos revelará tais e tais maneiras de sobreviver além de um blog, ou um livro em si, ou ainda um prêmio ou um troféu; são estes modos excessivos de celebridade que às vezes me cegam, mas creio que estou ficando velho, e os prazeres absolutos e sonhados ainda são inacessíveis desde os primórdios de meu embrião. Enfim, entre contas e créditos, meus epitáfios já estão sendo escritos.
Talvez não publique aqui tantos poemas, porque sinto que a linguagem proseada é mais eficiente para um primeiro contato; porém, especialmente porque vivo em constante reavaliação dos processos de criação. Porque vivo na pós-modernidade. Ontem durante uma aula, me abriram bem coração para isto. Então compreendi que meu silêncio, que tantas vezes compromete meu desejo de expressão, é resultado da condensação de tanta ânsia e de tanta pressão e de tanta pressa e de tanta verdade e de tanta asma, e isto faz com que acerte no que Meschonnic escreveu:
entre cada palavra um deserto
no interior das palavras o
deserto
e em cada letra eu
sou grato
ao silêncio
por tudo o que me permitiu
gritar
Henri Meschonnic
Não posso tomar uma decisão peremptória e corrente para meus rumos se estou emocionalmente e estupidamente envolvido em meu tempo (eita, que isto de pós-modernidade quebra meus dentes). Depois de dois livros prontos e muitas reinvenções, sei que a verdade é quista de uma maneira muitas vezes ilusória, mas ela é extremamente necessária à minha pessoa, e à de muitas ainda, por isso acredito na qualidade do eterno.
Então é claro o desafio, que enquanto estamos vivendo com esta libido para escrever, muitas dúvidas surgirão, mas grandes escritores são os que conseguirão persuadir estas paredes e montar sobre o entulho. A magnificência do mundo, para nós, escritores que procuram retratar seu tempo com compreensão, está provavelmente depois de nossos corpos. Entretanto somente viver nos revelará tais e tais maneiras de sobreviver além de um blog, ou um livro em si, ou ainda um prêmio ou um troféu; são estes modos excessivos de celebridade que às vezes me cegam, mas creio que estou ficando velho, e os prazeres absolutos e sonhados ainda são inacessíveis desde os primórdios de meu embrião. Enfim, entre contas e créditos, meus epitáfios já estão sendo escritos.
Selo MasterBlog
por
Sebastião Ribeiro
sábado, 8 de agosto de 2009
Lúdico
por
Sebastião Ribeiro
Sem vontade, murcho,
te digo inerme que enquanto
vais e voltas,
desprezo ou alegria imensa,
tudo é a mesma coisa,
a boca é a mesma,
o corpo magro mas
imensamente desejado,
tudo isto misturado
a esta lua que parece
ter sido feita em Dubai;
porém creia, que toda dor,
tesão em ódio
e inspiração ainda parecem
com amor,
para que provem o contrário.
Uma tarde inteira esta a ser
aquecida com
as mãos que me tocaram
neste sábado
e finalmente gemerei pensando
em ti,
longe de qualquer
rastro do Pornosleuth.
Ainda assim, e com tudo e nada
e todos em ninguém,
te ter como amado é impreciso
e fraco,
é como todos os versos que
tramei mas acabaram pifados;
ei, moreno,
ainda te quero longe de tudo,
longe dos sonhos inclusive,
quero finalmente saber o que a
cegueira mundana
esconde sobre
tuas formas e teus mitos.
Mais ou menos como poetou
Meschonnic,
vou me esconder em
computadores ou
biombos
e vinho barato,
vou buscar todas as Stella Artois
do mundo pra relembrar
esquecendo
minhas invenções por dois
anos,
evocar no silêncio
de cravos ou rosas
aquela minha decisão
unilateral de te querer.
te digo inerme que enquanto
vais e voltas,
desprezo ou alegria imensa,
tudo é a mesma coisa,
a boca é a mesma,
o corpo magro mas
imensamente desejado,
tudo isto misturado
a esta lua que parece
ter sido feita em Dubai;
porém creia, que toda dor,
tesão em ódio
e inspiração ainda parecem
com amor,
para que provem o contrário.
Uma tarde inteira esta a ser
aquecida com
as mãos que me tocaram
neste sábado
e finalmente gemerei pensando
em ti,
longe de qualquer
rastro do Pornosleuth.
Ainda assim, e com tudo e nada
e todos em ninguém,
te ter como amado é impreciso
e fraco,
é como todos os versos que
tramei mas acabaram pifados;
ei, moreno,
ainda te quero longe de tudo,
longe dos sonhos inclusive,
quero finalmente saber o que a
cegueira mundana
esconde sobre
tuas formas e teus mitos.
Mais ou menos como poetou
Meschonnic,
vou me esconder em
computadores ou
biombos
e vinho barato,
vou buscar todas as Stella Artois
do mundo pra relembrar
esquecendo
minhas invenções por dois
anos,
evocar no silêncio
de cravos ou rosas
aquela minha decisão
unilateral de te querer.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Hard
por
Sebastião Ribeiro
Para um mundo que não acaba: e sobre o cansaço proveniente dos pecados, ou das esperanças, ou das famílias e seus dilemas, ou pobreza (ainda mais, da dificuldade); onde coroamos as necessidades? Não me arrisco nem me revelo a dizer: Cansei! Mas, hoje já é agosto, mais que isso, hoje é dia (ou maneiras lucíferas nos corações desgastados)! De vez em quando isto surge, para os poetas ou para os estômagos ansiosos por víveres diversos: quadris, sexos, farinha.
Isto é maneira da esperança que quis esquecer, mas a nomenclatura correta para o espírito que pede pureza vocabular é esperança cansada. Porém, é ela que me permite ainda pensar em flores de cerejeira apesar dos amigos falsos e sonhar que minha mãe será muito feliz inteiramente apesar dos ônibus lotados e pedaços de assaltos. Entretanto ainda me é totalmente permitido gritar ‘ Cansei!’, porque me olho no espelho, e um pouco pior, olho aos outros no espelho. Daí vem a permissão para gritar no escuro de mim.
Uma pequena consideração final desta linguiça a encher: espíritos em desacordo ou desequilíbrio com outros espíritos são somente capas de folhas de arroz recheadas de marasmo. Ou agonia e tédio. Tudo isto me vem à mente por causa daquele amigo falso, que se revelou um ser discretamente, como digo, ‘à toa”. Melhor, quer concorrer a Best Villain, no MTV Movie Awards.
Leitores que tanto estimo, pensem um pouquinho nisto. Talvez vocês não terão o trabalho de pautar estas considerações, pois certamente elas surgirão em alguma centelha ou uma chama inteira no orgulho e no silêncio de todo homem e mulher livre de espírito, e cansado das mesmas notas dos dias amarelados. Lamento a inconveniência deste texto fraco, voltemos a dias melhores, e mais profusos, quem sabe, de coisas fúcsia.
Isto é maneira da esperança que quis esquecer, mas a nomenclatura correta para o espírito que pede pureza vocabular é esperança cansada. Porém, é ela que me permite ainda pensar em flores de cerejeira apesar dos amigos falsos e sonhar que minha mãe será muito feliz inteiramente apesar dos ônibus lotados e pedaços de assaltos. Entretanto ainda me é totalmente permitido gritar ‘ Cansei!’, porque me olho no espelho, e um pouco pior, olho aos outros no espelho. Daí vem a permissão para gritar no escuro de mim.
Uma pequena consideração final desta linguiça a encher: espíritos em desacordo ou desequilíbrio com outros espíritos são somente capas de folhas de arroz recheadas de marasmo. Ou agonia e tédio. Tudo isto me vem à mente por causa daquele amigo falso, que se revelou um ser discretamente, como digo, ‘à toa”. Melhor, quer concorrer a Best Villain, no MTV Movie Awards.
Leitores que tanto estimo, pensem um pouquinho nisto. Talvez vocês não terão o trabalho de pautar estas considerações, pois certamente elas surgirão em alguma centelha ou uma chama inteira no orgulho e no silêncio de todo homem e mulher livre de espírito, e cansado das mesmas notas dos dias amarelados. Lamento a inconveniência deste texto fraco, voltemos a dias melhores, e mais profusos, quem sabe, de coisas fúcsia.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Funcionalismo
por
Sebastião Ribeiro
Trinta de julho é quase agosto, e felizmente vejo o tempo passar, pois não existem prioridades intensas até esta manhã; é que não faz bem a um espirito perturbado deitar-se para morrer... é esperar demais. Bem, perturbado? Sim, pois assim (creio eu) andam os inauditos.
Aqui em minha cidade (que é tudo que meus olhos podem pegar) um ladrão de ônibus se estragou: tentou fugir, mas levou um balaço no pescoço, morreu num galinheiro de quintal. Ontem no banco da frente do ônibus, vi uma menininha (quando adulta, talvez a reconhecerei algum dia, seus traços eram inconfundíveis), e pensava que seria uma pena se ela morresse agora, em meio a esta noite fugidia e seus malfeitores também fugidios. Estamos ao vento, somos folhas.
Porém, pouco sinto agora da consciência de ontem, embora que a consciência de agora seja maior que a consciência de sempre. Ontem a noite, pela ponte do São Francisco (que é a ponte que liga a São Luís velha à nova), tive consciência de meus olhos cheios de brisa e da boca já podre de tanto sal marinho. E de meus braços, que inventaram não sei o que para tocá-los. Mais uma vez tive certeza que fui um poeta do silêncio.
Como sentir que seus olhos são os únicos ouvidos, e que a inspiração agora equivale a um prazer sexual. Carne, carne, carne, é tudo que a insignificância me ensina. Em palavras mais específicas: matéria, matéria, matéria. Tudo que há são ônibus, que desafiam o tempo como eu, e as confraternizações frias do amor silencioso, seja lá o que isso pareça. Em outra parte, sei que estas e outras considerações invertidas que a manhã ou o cansaço da noite oferecem, bem, sei que elas estão mais perdidas que flores de ipê em outubro.
O espírito ou as intenções dos homens às vezes provocam gestos irreparáveis, como dores. Mas, eu penso no lado positivo: o Japão teve o maior crescimento industrial em vinte anos e o dólar baixou ontem a R$ 1,827! Ou quase isto. É sempre quase isto, profundo no aquilo, de algum modo, tomada a devida proporção. E todos os cantos têm vocação para serem gritos de morte ou despedida, e todos os homens tem estilo para serem os últimos de uma nação e todas as viagens têm trejeitos de serem somente de ida. E eu aqui (doente de algum modo...), esperando sem reserva a mim mesmo para o mundo.
Aqui em minha cidade (que é tudo que meus olhos podem pegar) um ladrão de ônibus se estragou: tentou fugir, mas levou um balaço no pescoço, morreu num galinheiro de quintal. Ontem no banco da frente do ônibus, vi uma menininha (quando adulta, talvez a reconhecerei algum dia, seus traços eram inconfundíveis), e pensava que seria uma pena se ela morresse agora, em meio a esta noite fugidia e seus malfeitores também fugidios. Estamos ao vento, somos folhas.
Porém, pouco sinto agora da consciência de ontem, embora que a consciência de agora seja maior que a consciência de sempre. Ontem a noite, pela ponte do São Francisco (que é a ponte que liga a São Luís velha à nova), tive consciência de meus olhos cheios de brisa e da boca já podre de tanto sal marinho. E de meus braços, que inventaram não sei o que para tocá-los. Mais uma vez tive certeza que fui um poeta do silêncio.
Como sentir que seus olhos são os únicos ouvidos, e que a inspiração agora equivale a um prazer sexual. Carne, carne, carne, é tudo que a insignificância me ensina. Em palavras mais específicas: matéria, matéria, matéria. Tudo que há são ônibus, que desafiam o tempo como eu, e as confraternizações frias do amor silencioso, seja lá o que isso pareça. Em outra parte, sei que estas e outras considerações invertidas que a manhã ou o cansaço da noite oferecem, bem, sei que elas estão mais perdidas que flores de ipê em outubro.
O espírito ou as intenções dos homens às vezes provocam gestos irreparáveis, como dores. Mas, eu penso no lado positivo: o Japão teve o maior crescimento industrial em vinte anos e o dólar baixou ontem a R$ 1,827! Ou quase isto. É sempre quase isto, profundo no aquilo, de algum modo, tomada a devida proporção. E todos os cantos têm vocação para serem gritos de morte ou despedida, e todos os homens tem estilo para serem os últimos de uma nação e todas as viagens têm trejeitos de serem somente de ida. E eu aqui (doente de algum modo...), esperando sem reserva a mim mesmo para o mundo.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Contradição
por
Sebastião Ribeiro
Esta primeira palavra, que poderia ser ‘parva’ ou ‘estupidez’, talvez ‘fraqueza’, mas, enfim, como para tudo que se sabe demais sempre há exiguidade, creio que chegou a minha vez de dizer que em meu discurso diário não existem milênios, e que, o que agora foi falado mal carrega o presente, despindo-se assim, dos diáfanos e das exuberâncias do brilho ou da cor.
Como um homem que se esquece do cansaço, atiro aos sábios as sugestões; muitos sabem a poesia como uma mágica, mas o instinto é imensamente pornográfico, e já não permite dores que não as totalmente explicáveis pelo corpo.
Como Whitman, bem que gostaria que me permitissem estirar-me numa relva perfeita com o mundo aos meus olhos; mas o que acho, é que quebro o protocolo da vida imensa quando admito que o silêncio seja um lirismo ideal. Tenho dito e extinguido tantas formas, que não tenho percebido neste instante que estou pregado no papel; agora é tarde pretender sonhar a intenção dos versos e sua incauta extensão de sentido, que é o que salva e coroa o que se diz ’poesia’.
O mundo (creiamos, suas flores, seus corpos, seus espelhos, seus álibis) é consciente somente nesta metalinguagem fastidiosa, não-plena e ferida. Mas, qual é o ponto, a matéria, the matter, o tema de tantos objetos poéticos? A lacuna desta pergunta e de sua resposta está no dia de hoje: o que é ouvido, sentido e saboreado? Aonde os homens se percebem? Aonde se quebram?
Pois, homens, é certo que só falamos a nós mesmos, e claro que humanidade não tem nada a ver com huma(u)nidade. Tantos fátuos voadores para nos criticar... de resto, só o prazer nos une. Mas, criar poesia para quê, com o quê e para quem, de que forma e quando? Onde?
Agora que o corpo está frio e espera sua cama de metal, lamento ter que voltar à realidade, com seus salários mínimos e rescisões, programas de integração social e vigias sobre as mercadorias que precisamos. Até agora, comer bem e descansar, dormir até tarde e dançar me parece o poema mais adequado, pois todas as problematizações e restrições estão do lado de fora de minha cabeça, naquele seu baú acre de confusões.
Como um homem que se esquece do cansaço, atiro aos sábios as sugestões; muitos sabem a poesia como uma mágica, mas o instinto é imensamente pornográfico, e já não permite dores que não as totalmente explicáveis pelo corpo.
Como Whitman, bem que gostaria que me permitissem estirar-me numa relva perfeita com o mundo aos meus olhos; mas o que acho, é que quebro o protocolo da vida imensa quando admito que o silêncio seja um lirismo ideal. Tenho dito e extinguido tantas formas, que não tenho percebido neste instante que estou pregado no papel; agora é tarde pretender sonhar a intenção dos versos e sua incauta extensão de sentido, que é o que salva e coroa o que se diz ’poesia’.
O mundo (creiamos, suas flores, seus corpos, seus espelhos, seus álibis) é consciente somente nesta metalinguagem fastidiosa, não-plena e ferida. Mas, qual é o ponto, a matéria, the matter, o tema de tantos objetos poéticos? A lacuna desta pergunta e de sua resposta está no dia de hoje: o que é ouvido, sentido e saboreado? Aonde os homens se percebem? Aonde se quebram?
Pois, homens, é certo que só falamos a nós mesmos, e claro que humanidade não tem nada a ver com huma(u)nidade. Tantos fátuos voadores para nos criticar... de resto, só o prazer nos une. Mas, criar poesia para quê, com o quê e para quem, de que forma e quando? Onde?
Agora que o corpo está frio e espera sua cama de metal, lamento ter que voltar à realidade, com seus salários mínimos e rescisões, programas de integração social e vigias sobre as mercadorias que precisamos. Até agora, comer bem e descansar, dormir até tarde e dançar me parece o poema mais adequado, pois todas as problematizações e restrições estão do lado de fora de minha cabeça, naquele seu baú acre de confusões.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Para julho e nunca mais!
por
Sebastião Ribeiro
Ando guardando algumas palavras à poesia que se esvaem como considerações finais. Mas desde agora tudo que falo parece poesia, entretanto, tanto espírito falta! É a diferença além do verso e da linha.
Para variar, quero compartilhar minha leitura atual: Walt Whitman. Especialmente esta frase:
“Contradigo-me? Pois bem, contradigo-me. Sou muito amplo: contenho multidões.”
E atrelando a isto o primeiro poema de Folhas de Relva, “Eu canto meu o próprio ser”, teci a certeza de que cantamos coisas efêmeras. Eis os homens. Eis as palavras poucas que dedico a mim mesmo, já que pouco entendo. Teci a certeza... das coisas fátuas!
Ainda pouco sabemos do futuro. Melhor, o futuro mal nos sabe. O que resta é tentarmos sorver do presente esta substância de vida numa insossa descrição. Por isso tantos cantam o amor ou a guerra ou escovas de dente e as calçadas. De resto também nos serve ficarmos calados debaixo das mesas ou das tardes.
Mas longe das coisas que foram feitas para restarem, existem as que concentram verdade. Estas só se revelam contra a luz, mas a de nós mesmos, a natureza quer ser independente.
Mas, e quando os olhos não estão inspirados? Pra ser inspirado existe o hálito, e chega de metáforas!
Chega de tudo isto que tem cheiro de algo pra se jogar fora.
Para variar, quero compartilhar minha leitura atual: Walt Whitman. Especialmente esta frase:
“Contradigo-me? Pois bem, contradigo-me. Sou muito amplo: contenho multidões.”
E atrelando a isto o primeiro poema de Folhas de Relva, “Eu canto meu o próprio ser”, teci a certeza de que cantamos coisas efêmeras. Eis os homens. Eis as palavras poucas que dedico a mim mesmo, já que pouco entendo. Teci a certeza... das coisas fátuas!
Ainda pouco sabemos do futuro. Melhor, o futuro mal nos sabe. O que resta é tentarmos sorver do presente esta substância de vida numa insossa descrição. Por isso tantos cantam o amor ou a guerra ou escovas de dente e as calçadas. De resto também nos serve ficarmos calados debaixo das mesas ou das tardes.
Mas longe das coisas que foram feitas para restarem, existem as que concentram verdade. Estas só se revelam contra a luz, mas a de nós mesmos, a natureza quer ser independente.
Mas, e quando os olhos não estão inspirados? Pra ser inspirado existe o hálito, e chega de metáforas!
Chega de tudo isto que tem cheiro de algo pra se jogar fora.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Reinvenção
por
Sebastião Ribeiro
Monturos de confusão ainda sobressaem das nuvens (Isto não é exato, nem preciso. Inteligível?). Até onde posso beber de Pound ou Maiákovski, o que me espera é que:
1. Sou um homem sem imagens na cabeça;
2. Creio que todas as tentativas estuam em niilismo;
3. Minha alma é propensa a leituras que esparsam a vontade de escrever, mas não a concretizam.
Oh, tudo é tão delicado... Das minhas mãos tão presentes até as burocracias que me fazem sangrar. E o amor, o amor! Para amar alguns corpos (como Baudelaire sugeriu, de certa forma o mundo considera certos amores infectos...) preciso lavar, esconder ou cortar as mãos.
E creiamos que acabaram de ir todos os lirismos da última semana.
Pensemos na cama. Sintamos somente este corpo esparso e carente que inevitavelmente nos pertence, gotejando fluidos, como o que surge de algumas latas de lixo.
Percebemos que concatenação não é um dos meus fortes. Palavras já não se sabem legítimas, quando muito penduradas. Sou um todo inquieto e que caminha para a mudez todas as vezes que grito. Isto é prático e preciso (foi um pedaço daqui posto na tela, e simplesmente poderíamos considerar isto arte).
Quando decidir ou me possibilitar entender a mim ou aos outros, voltarei e anunciarei algo quisto apocalíptico, pois que a beleza idílica ou a poeticidade fácil hoje são um problema.
Não nos percamos: problematização poética ou poeticização do problema?
1. Sou um homem sem imagens na cabeça;
2. Creio que todas as tentativas estuam em niilismo;
3. Minha alma é propensa a leituras que esparsam a vontade de escrever, mas não a concretizam.
Oh, tudo é tão delicado... Das minhas mãos tão presentes até as burocracias que me fazem sangrar. E o amor, o amor! Para amar alguns corpos (como Baudelaire sugeriu, de certa forma o mundo considera certos amores infectos...) preciso lavar, esconder ou cortar as mãos.
E creiamos que acabaram de ir todos os lirismos da última semana.
Pensemos na cama. Sintamos somente este corpo esparso e carente que inevitavelmente nos pertence, gotejando fluidos, como o que surge de algumas latas de lixo.
Percebemos que concatenação não é um dos meus fortes. Palavras já não se sabem legítimas, quando muito penduradas. Sou um todo inquieto e que caminha para a mudez todas as vezes que grito. Isto é prático e preciso (foi um pedaço daqui posto na tela, e simplesmente poderíamos considerar isto arte).
Quando decidir ou me possibilitar entender a mim ou aos outros, voltarei e anunciarei algo quisto apocalíptico, pois que a beleza idílica ou a poeticidade fácil hoje são um problema.
Não nos percamos: problematização poética ou poeticização do problema?
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