sábado, 8 de agosto de 2015

nada



e você contido em minha sozinhez não percebe do que sou feito não aparta nem espera que eu te diga como um segredo: se me conhecer melhor que eu não ficarás aqui

sonhos com partes falsas, papéis invertidos... você vezenquando coaduna e coadjuva quando me lembra de amores ou de coxas tesas... me quer mais que a mim enquanto sou peça única que não pode se dizer feliz

não há proveito em violar esta rosa em busca da sobra  -- o perfume não-quisto. desista. sou um portal tridimensional de algum filme vazio: meus caminhos, eu indico


sexta-feira, 31 de julho de 2015

civilidades/ a beleza/ ciranda




Queridxs, desejo compartilhar com vocês algumas de minhas últimas produções (inéditas) -- estão no Caderno-revista 7faces, edição nº 11. Para ler ou baixar o caderno, clique AQUI. Curtam!


domingo, 26 de julho de 2015

busca ou achado



projeto essas quedas no espelho parte de meu rosto se acende quando me amo os olhos vitrificados nem se fossem cristais teria eu a resposta necessária aquela que me conta a vida no resultado do vdrl disposto ao modo de cartas de tarô

sabem meu nome sabem meu gosto me querem mais do que eu


terça-feira, 14 de julho de 2015

κάϑαρσις



[das palmas, escamas brancas: fáceis deslizes mortos na perda   leve-as opostas às vias da queda já que me amo torto e te vejo fio   pênsil motivo no grão que me há e ressurge cego me lambe o olho   só quero minhas linhas de novo mantenha os papéis e nos ouça   colher a falta tocar tambores]

Catarse. Oriebiro

fosse um vício seria desejo fosse desejo seria obsessão fosse obsessão seria fome fosse fome seria ânsia fosse ânsia seria insônia fosse insônia seria noite fosse noite seria onda fosse onda seria lonjura fosse lonjura seria espuma fosse espuma seria fervura fosse fervura seria vibração fosse vibração seria música fosse música seria descoberta fosse descoberta estaria morta


rip susumu yokota

sexta-feira, 26 de junho de 2015

constituição


o encanto sozinho está nos outros meninos, não mais nesse...


constituição

o encanto sozinho
aqui dormido
saltou dos olhos antes
que pudesse sorrir

no fim dos dedos, precipício:
cantar não ajudou o amargor de
meu sangue tornado estranho vinho
mas me fez enxergar o dito:

teus conselhos me voam
me fizeram
vespeiro vazio

ainda que exista ordem na biologia
do cético surgir do clímax
da aflita corrida das formigas
sou fruto de terra em espera no caos

a chance orgulhosa de esquecer o pecado
& morto enfim quando neguei os heróis


(RIBEIRO, Sebastião. &. São Paulo: Scortecci, 2015)


sábado, 6 de junho de 2015

junho


com sorte terás sorte terás amor terás sucesso terás terás o ouvido e o olho do mundo te calcando de beijos e fazendo dourado pronto e ofertado como mártir pela fé no shopping center e da beleza de pedra esquecida na câmera do celular com sorte com sorte baby jesus will be back e poderás perguntá-lo o que fazer com os 360 meses que faltam para quitar o apartamento e por que o doce feroz de um sentido desconhecido não te pousou a vida provável que o que nunca foi um profeta como eu te entregue um espelho e fuja tonitruante e triunfal na última cena de um filme pelo qual alguém ganhou um oscar e saia desesperado em sua ferrari 612 scaglietti na infinita highway deste mundo após este mundo sumindo na curva onde david bowman sentiu o gosto de seu fim

sexta-feira, 8 de maio de 2015

translação



por vinte e sete anos carrego esse globo de vidro ou quartzo que me nega o devir. ainda que abismal e estrelado, dentro de mim o globo gira. diria que é na verdade um planeta que deixa seus continentes caírem assim que vira sua face a um sol. diria que, ainda que negro, habitado por serpentes, irrigado por veias de fúria, vida surgiu. ainda que nele ninguém exista a gritar seus deuses, o tempo passa.

 from 2001: A Space Odyssey

vezenquando o globo guarda em espera a chama eterna que o fará microscópico. mas enquanto arde a chama, um galho adoecido se importa em surgir e inventa uma flor que nada sabe de latrocínios. ou imposto de renda. uma brisa em pensamento se esquece e qualquer coisa vibra sem aparecer, como sinais de rádio. já poderia ser dia nesse lugar confuso que ignora e recebe entendimentos de podres coitados -- perdidos, numa rocha molhada e grávida de anseios.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

polaroid do espelho


tonto. um dia te viraram a cabeça e te fizeram bobo. tonto. talvez não sejas. tonto. eles é que não conseguem escutar o fino deboche. eles não conseguem segurar o coração que escorre pela manga da camisa. tonto. seria a química imposta do pão branco e do óleo de soja? seria a falta de algum elemento aos anos onívoros? quem morreu e te fez rei? tonto. talvez a mão tremente. talvez o sorriso quebrado. talvez o olhar 'tome no cu' que te guarda de um jeito que nem a mãe conseguiu. mas eles ainda te vêm assim. tonto. morno. fácil. pífio. talvez a mente sóbria é que te invente essas coisas. provável. o que pensam de você = não é seu problema. truísmo, fato. mas o espelho não te nega. os óculos sempre tortos também. planos bem certinhos guardados em algum sovaco bem intencionado já não te prendem. fujamos. quebremos. atiremos. mas mas. portanto concluímos. tonto. te sobras seres tonto. é o mundo que gira e foge ao teu soco. é este espaço de coisas novas que nada te contam. nada te apaixona. para um jardim vertical és bastante bailarino. o vento não te esquece. tonto. 



segunda-feira, 9 de março de 2015

'&', segundo Igor Pablo Dutra e Wesley Costa



Em finais de março pretendo divulgar data e local do lançamento de meu livro '&'. Até lá, venho mostrando uma coisa aqui outra lá, como o poema 'dos processos' e um dos textos introdutórios à obra, escrito pelo poeta e amigo Bioque Mesito. Hoje quero divulgar também os outros dois textos, um de Igor Pablo Dutra e outro, de Wesley Costa, ambos companheiros de 'Acorde'... 

Enjoy them!

***
& Além 

Sebastião Ribeiro será considerado uma surpresa, apenas para quem ainda não teve o prazer de conhecê-lo. Para quem conviveu e convive, leu e lê, não será, há muito ele é mais que um talento que amadurece a cada viagem nos coletivos da vida. Um Homem que sabe de si (?), de sua arte, de sua força, de seu verbo. Um homem que tem a poesia em cada gaveta de seus dentes. 

A poesia de Sebastião tem seu encanto nas ‘esfinges’, ele desafia o leitor a caminhar com ele, lado a lado, passageiros da vida. O título do livro revela, em princípio, o mesmo enigma que sempre circunda a boa poesia, em minha visão, o acréscimo de cada verso e cada poema vai estabelecendo a existência/essência do poeta, e também, me mostra certa veia de escárnio. Um aprofundamento na obra -&- necessita de muito mais parágrafos e páginas que não poderei aqui. Fazer uma seleção e classificação de poemas seria eleger o erro, me resguardo desses equívocos, apesar da necessidade de dentear alguns, os quais, teço comentário abaixo. 

Em Mote, poema que abre o livro, a justificativa do ser poeta: “hoje/  é todos os espaços contornáveis preenchidos/ por dúvida”. O poeta manifesta suas incertezas hodiernas, seus vazios angustiantes e intemperáveis. Destaco ainda, a competência criadora do retalho de versos que vão desestabilizando os sentidos buscados pelo leitor. Isso, ocasionado pelos cortes sintáticos, que podem ser os próprios fragmentos do poeta. 

Em Provisório, nota-se a envergadura questionadora do labor poético: “gritos tenho alguns e mesmo que/ cheguem até o outro lado da matéria/ pouco dirão”. A poesia se justifica para quem? Esses gritos são a força motriz do poeta, que necessita expandir, mas, para onde? Não seria essa a luta vã? A quem destinar-se, é um segredo que pouco se sabe. O poeta demonstra sua imprecisão quanto ao que o homem quer encontrar, entretanto ele reconhece em seguida, o quem ele é, o quem somos, “sim/ o homem é a fruta podre que nutre/ a árvore sob o sol desfigurante”. 

O poeta profundamente inquieto, não poupa a inutilidade de muitos mundos, outros poemas deixam à mostra as cicatrizes invisíveis dele: “são dedos que na palma/ ciscam, separam para o norte/ o troco do tempo” ou os desejos corriqueiros e cavalares “cambiamos/ estações/ enforcamos/ sonos/ e neste corte na rocha/  buscamos um amor e prêmios/  de loteria” e ainda o afago que a poesia dá a nossa própria nulidade: “pego torcido e dito:/ cumprirás cada falta / em ti possível”. 

Iço o fim deste texto com as lindas palavras de Atavismo, na demonstração do não abatimento diante das circunstâncias do Ser Artista – “enquanto vibrar um desejo/  haverá dor & canto”. Esperemos pelos próximos brindes! 

   Igor Pablo Dutra*

* Poeta (participante de Acorde (Scortecci, 2011; com Sebastião Ribeiro e Wesley Costa) e professor de Literatura, formado pela Universidade Estadual do Maranhão

***

“Humano”

“&” de Sebastião Ribeiro situa-nos em um quarto: “é todos os espaços contornáveis preenchidos /por dúvida /é os móveis arborescidos no quarto /ocultando o fruto em cuja casca de vidro /me enxergo”. Talvez em um quintal onde o hábil escritor, ou/& seu eu-poemático parece perecer em sua situação de humano e sua existência em meio a ônibus cheios e cabeça lotada de dúvidas e certa melancolia que é passageira constante ao longo da obra. Mas ele reserva ainda espaços para alguma ternura e momentos singelos: “me abro /ao espetáculo /ao só solamente/ solizinho /pacto de viagem”. 

É notável o talento do escritor em propor densas imagens-ideias: “os móveis arborescidos no quarto”, “você abriu todas as portas/onde não deveria haver nenhuma”, “O poeta com medo de não ser convidado/ O poeta que está nunca o sendo”, “dá bom dia/e esbarra no vidro/de cada sorriso”, “Ouço a nota escura de um trombone”, “me via como uma lágrima/que tropeça”, “no ribeiro lutulento” (não haveria nesse verso algum murmúrio-pendor autobiográfico como possa sugerir seu próprio nome?). Prossegue o Sr. Ribeiro ou sua voz de poeta a observar a viagem e seus vários passageiros “a gente perde o trem/ das grandes coisas / quando não se cala:”. 

E volto a falar a respeito de “&” com a consciência de que as minhas palavras não medem a “proporção de sentido” do livro, pois não se trata de meramente enunciar que “&” está vestido em um terno e possui um sorriso melancólico (seria superficial assim proceder). Sei e declaro com franqueza que a obra contém mais que isso, porque é mais do que isso. Todavia, por enquanto limitar-me-ei em enfatizar esse “eu” dos/nos poemas que expõe muitas vezes a fragilidade do ser humano e sua estadia neste mundo em meio a tanta poeira e temporal. 

Weslley Costa*

*Escritor, participante de Acorde (Scortecci, 2011), juntamente com Igor-Pablo e Sebastião Ribeiro. Autor de Colham as Roupas Maduras do Varal (Scortecci, 2012). 

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famélia (ou do que foi feito o laço)


todos reunidos mas como se deixados na mesa do jantar. o gesto que flutua no andar de pratos soprar de colheres não contenta o desejo por premonição que aguenta firme dentro de cada um deles. quem conhecerá uma queda quem começará de novo quem não suportará tantos ciclos quem denunciará a verdade. se entreolham se encostam se acomodam. um deles pede em nome de cristo uma paz bem feita ao modo do alimento que miram. Deus tem ouvidos derretidos. o pedido voa mas cede no ar ao peso de uma bala. o que havia ali, promessas, farsas, desconhecimentos, amor e derivados, vacila. tanto cuidado parece que foi colocado naqueles laços que agora vemos se arrastarem, se perderem numa distância.


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