terça-feira, 17 de novembro de 2009

Lubricezas

Insisto. Ele não consegue tomar forma de poema. Mesmo sua poesia está desidratada. Espero. Sopro-o solfejando. Espero. Tomo-lhe o queixo, estranho-o. Minha mão dentro de suas calças e realizo o fato dele ser um homem.

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Inspiro. Prometo. Nada me compromete. Esfinge. Que coisa, nada parece simples?! Que ódio. Investigo. A visão de carne e polpa, textura sexual se esvai, graças ao bom Deus. Ainda permanece informe. És um homem afinal, mas não existe além de fotos. Que nojo.

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Não, não persevere. Nada quero à noite. Me incomoda, o cheiro estranho, a forma não usual, a dureza nada tênue. Desista. Estou morto pra ti, esqueça-me, sou um louco. Um vadio onanista entre muros de uma rua deserta. Tenho taras. Afaste-se. Vou te engasgar...

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Sabes bem que gozar é uma resolução. Que faremos agora, além da garganta seca, do cansaço meio frustrante? Sente-se. Coma alguma coisa. Tarde alguma nos entenderá. O lençol encharcado, lavarei. O látex, dissolverei. O cheiro estranho só é estranho agora. Ele me trouxe até aqui.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Resoluções

Falei e ainda falo deveras numa tal de verdade, que apesar de não ter rosto, todos querem conhecer. E é verdade absoluta, deflorada, oculta. Mas encaremos a verdade: antes que mentira, isto é um equívoco cultural entre os bons. Esclareço então a mim mesmo pelo menos, as trapaças que a linguagem pré-cozida encerra nos vários contextos da vida, e creio empiricamente no engaiolamento das palavras em grupos prontos, tipo isto pede aquilo, e assim vai. Concluindo: propondo verdades, calço inverdades, e assim caminha em clichês a humanidade (sentem o drama?) ...
 
Enfim, verdade é realidade, verdade se beija, verdade se come com farinha? Por qual Judas a persigo, ou a ferindo, afasto-a? Verdade pagará minhas contas, levará minha carcaça incerta a todos os limbos (A interrogação não é algo que afaga, a saber)? Antes que'u conceitue ou até mesmo que me banhe e esqueça deste papo, é bom definir o que penso agora agorinha; que enveredo por trilhas sujas na procura dum pharmakon. É hora de abrir os olhos e os dedos. Na verdade, tenho uma alma meio velha para esse tipo de desatenção. Pero, trata-se dum pharmakon, lembram? Então colhamos a realidade, ou seja, parte de verdade!
 
O que mais meus caros? Cuidado. Não só com a questão entreaberta aqui, mas com tantos outros conceitos que tornam mornos nossos ímpetos. Citemos: verdade, juízo, amor, nojo, o et coetera. Todo o nosso instinto social e coercitivo admite aspectos da sociedade, vida amorosa ou do quilo do feijão, como nossa boca concebe inteira nossa língua.
 
Assim como quem não quis nada, medi informemente esta dúvida rastejante vinda de meus discursos, e como discurso é discurso, sintam-se extremamente corroídos por elas, eu permito. Tomemos um fato: esgarcem ampliando, como um chiclete, qualquer proposição aqui posta. Então, de reflexão em reflexão, de consideração e consideração, vocês provavelmente chegarão a um conceito ou pedregulho (velhas conversas sobre sujeito e objeto...). Segurem-o com as mãos possíveis, e, o que têm? Eu digo que é verdade.
 



 

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Lúdico 2

É, realmente ainda está em uma prateleira.
Foi o que sobrou do passado, eu estava pronto.
Magro, mas perfeitamente manipulável,
ele não me imagina como presa ou picolé,
parece que ele me tem como uma viagem esquecida.
Ainda sou papel de pão,assim.
Sem aqueles papos de amor (que coisa
cultural) ou paixão rósea sangrando...
Sem bocas que me lembrem Jeff Stryker ou
que desviem a Ted Colunga.
Sem nada que lembre o rosto ou a manhã
ou qualquer coisa enxuta que não um projeto
(fomos todos um projeto).
Longe de minha culpa, amei sozinho.
Amei como se come e se deseja estar sozinho.
Final óbvio:
Minha vida poderia ir-se pela dele
pero descobri que mesmo
a morte pode ser em vão.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Links

Três links para trabalhos meus no blog do Plástico Bolha, jornal que eu adoro!

http://jornalplasticobolha.blogspot.com/2009/10/nightwork-um-poema-de-sebastiao-ribeiro.html

http://jornalplasticobolha.blogspot.com/2009/10/novidade-ou-na-falta-de-um-poema-mais.html


http://jornalplasticobolha.blogspot.com/2009/05/blog-post.html

Ipês

Outubro. Anos e anos passaram por ele. Eu mesmo fui um ano inteiro a esperar pelo seu Sol, púlpito de nostalgias (seja lá onde isto seja). Um ano inteiro é um túnel onde me arrasto e a cabeça sobe intermitentemente pelas horas modificadas em unidades sóbrias e burocráticas, chamadas meses. De hora em hora espero um mês chegar. Vão-se todos. Ficam os ipês. Os ipês e seus outubros, suas costas, seus empecilhos. O outubro de dois mil e oito foi romanticamente especial, não pelos corpos, mas pela vida mesmo. A natureza é algo imenso e assim me calaria. Entretanto, à plena voz, luzes e luzes vindas de troncos pálidos e ásperos enchiam minha cabeça de coisas, coisas poéticas. Os ipês são parte completa de uma lembrança chamada símbolo; o símbolo é coisa que arde n'algo chamado referência. E referência é constante que busca sentidos, sentidos vários a algos de infância e juventude arenosa. Muitas vezes estes sentidos são somente devaneios ou partes perdidas de anseios velhos; e de tudo isso, como um segredo, revelo a todas as pontes e a todos os homens que um ipê florido e quente numa tarde de outubro é um ser em seu sentido amoresco.


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Aguardem os ipês...

Amigos, minhas férias mentais se acabaram, e não sei se isto é totalmente bom, pois o sistema me quer deveras. E isto é o que sobrou da ceia (risos não, por favor). Já penso num novo projeto, um novo livro: novas sintaxes e imagens andam me figurando, estou esperando cada poema dizer o que quer dentro de mim. Me espero e me retrato, esta é a verdade.

Ontem assisti ao Fahrenheit 9/11, e se não fosse pra fazer um artigo de faculdade, isto "daria samba", ah, com certeza. Emoções multiformes tomaram conta de mim. Nem sei se deveria tecer algum comentário sobre, pois pareceria que eu deixaria escapar tanto lirismo por aqueles mortos e desesperados no Iraque ou por aqueles soldados desavisados, iludidos por um presidente, que sendo presidente ou não, sendo um Messias ou um Papa, sendo uma árvore ou um vulcão, ele não passa de um perdido. Não por favor, mundo, de perdidos já bastam nós.

Antes que forças externas tomem conta de mim (isto é, corpo e função), escreverei. Escreverei de uma maneira minha desafiando mesmo o bom senso; vida nenhuma encontra o bom senso no desespero ou na angústia, ou na indecisão e no êxtase. Perdidos, é o que parecemos. Aqui em meu canto, desconhecido das altas esferas políticas e comerciais, ainda sou somente um rapaz pobre que mora longe, feio também, mas isto absolutamente não é pertinente. Pertinente é a viagem de minha mente (e muitas vezes do meu corpo) no clímax de um texto, especialmente quando eu o produzo; pertinente é cair em marasmo quando o corpo não aguenta tanto conhecimento. Pertinente é reunir meia dúzia de malucos como eu que discutem ou inventam literaturas, idéias, sonhos, vontades.

Igor, um amigo meu, destacou n'A Hora da Estrela, de Clarice, que o narrador, o Rodrigo S.M, escreve por não ser somente um acaso como Macabéa. Entretando ele soube transformar o mundo macabeano num épico triste de proporções modernas, miúdas, cinzas, mas pertinentes! Sou assim também. É pra isso que muitas vezes o mundo cai lá fora. Preciso perceber-me.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Quieto

Quinze minutos para conseguir a concentração/inspiração que dá sentido ao dia, de algo novo, mais um expurgado além de tantos acocorados. É nesta pressa que me exponho ao vazio, provavelmente; todos com seus afazeres e eu com esta fraqueza de palavras! Bem se vê que não sei nada.

Surgido do nada (não derivado ou proposto) estão o poema, o sono, a esperança. Não se sabe donde vêm, mas estão bem postos em qualquer lugar, sim, estão. É a marca da vida. E também é a marca do que se joga ou espera. Escrever coisas óbvias é se jogar; sibilinar os algos é esperar.

Entretanto, entre este ou aquele, não serei eu quem sobrará. Do lixo do mundo basta eu, com minhas insinceridades e minhas perdas, diria, aleijões. Pensando melhor, não é que eu seja mentiroso e tal, talvez tenho me colocado como vítima desta época.

É tempo de se calar. E ler, ler, ler até a vergonha na cara se tornar máscara. E meu silêncio gestará a beleza, que cairá como saliva dos dentes. Fazendo-o com o risco de cantar somente a cala. E cantá-la no invisível, invisivelmente.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Experiência da ausência

Feche os olhos, veja suas mãos. Aquelas ideias de ontem já se perderam. A alegria foi uma chuva no telhado. O brainstorm também é uma chuva no telhado. Mas nos falta um sistema. Ontem foi um dia de alegria, e hoje também o é, mas encarecidamente pelos céus ou pelo chão mesmo, as palavras tomaram uma forma indecente, estão invisíveis. Eu tomo uma forma incrível, a de um poeta do silêncio.

Leiamos: corpo morto, mas inteiro, cheio de podridão e paraíso, mas silente. Silente como uma rosa. Eis que a rosa diz mais, posto que explode em vermelho significativo. Mas, e o cara que escreve? O que dele sobra? Dele sobra o terreno informe onde cresceu a rosa. Vejamos o dele se percebe:

como se faz um conjunto vazio?

Realmente, parece que o fato de estar morto é um exagero. Exagero é ele mesmo se esquecer entre o nojo que lhe dá o exagero. Muitos mundos ainda restam até um pouco de consciência ou coerência; bem sei que de longe quase nada se faz ou se fez, até que o silêncio teve de dar lugar ao ritmo tranquilo da re-consciência. Feche os olhos, veja suas mãos.

Expressando matematicamente o que ocorre, todos perceberão a pressa de uma vida em se expressar e tornar perfeito o canto de todo um espírito, o espírito de um Respondente, como Whitman sugere. Fechei minhas mãos e abri os olhos para poder ler Rilke. E me calei. E agora sei que me calarei onde e até for possível, que minha tristeza ainda assim é uma rosa de vermelho significativo.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Sem técnica

Sem ânsias, querido.
Flores de ipê finalmente
em setembro
inventadas nos braços
sem motivos fantásticos
sem formas de aço.

Sem anjos, meu bem,
sem espelhos.
Sem positivismos
- estamos aqui porque
fomos sementes.

Sem estragos, amor,
posto que minha boca
não queima em calar-me
a dizer-te 'amor',
e isto e em todo canto
parecerá
uma mentira.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Selo Vale a pena acompanhar este blog!



Fui indicado pelo amigo Shintoni do Duelos Literários a este selo que de algum modo me familiariza com os leitores. Muito obrigado a todos que acompanham meu blog, nem imaginei tal. Mas devo responder algumas perguntas pelo regulamento para aceitação do selo:

1.Por que resolveu criar um blog?

Porque sentia necessidade de me expressar de uma outra forma que não fosse somente o formato poemático, além da vontade que eu tinha em escrever sobre outros temas que não se adequavam a uma estética deste tipo, mas de fato a poesia é maior, em prosa ou verso. Sem contar que estava cansado de ser um poeta no escuro. Gosto de compartilhar até certo ponto minha técnica e visão poética, o poeta tem de ser livre e sua poesia também. Com moderação e contexto, claro.

2.O que te dá mais prazer blogar?

Aquilo que mexe com a cabeça das pessoas, algo como diz minha amiga Ana, inesperado. Mas pretendo sempre de alguma forma mesclar aspectos pessoais de vida de todos, incluso óbvio a minha. Se cheguei a este ponto, creio que não cabe a mim dizer.

3.Qual o assunto que você mais gosta de postar?

A vida.

4.Por que escolheu esse nome para o blog?

Sebastião Ribeiro é meio sisudo, e como estou me expondo de alguma maneira no blog, preferi ser somente S. S. Ribeiro, com orgulho do sobrenome underlinezado pela poesia.

5.Você costuma visitar outros blogs?

Claro, principalmente de amigos, mas muitas vezes encontro algo interessante fora do círculo comum, como vocês verão.

*******Creio que devo indicar seis blogs. Aqui estão:

DUELOS LITERÁRIOS: www.duelosliterarios.blogspot.com - O BLOG QUE ME DESCOBRIU!

BLOG DO BOLHA: www.jornalplasticobolha.blogspot.com - O BLOG QUE ME EXPÔS!

NENHUMA BORBOLETA AZUL: www.nenhumaborboletaazul.blogspot.com - ESTE RAPAZ ME CONHECEU NO BLOG DO BOLHA E ASSIM FIQUEI SABENDO QUE ELE É MUITO ORIGINAL.

PROSOPOEMA: www.prosopoema.blogspot.com - O SENSUALISMO DESTA MENINA ME FERVE!

IGOR PABLO: www.igorpablo.blogspot.com - ESTE MENINO ESTÁ COMEÇANDO E PELO QUE SEI, PODERÁ VIR A SER UM POETA ESPECIAL... DEEM-LHE TEMPO!

C E N T R A L D A P O E S I A: www.centraldapoesia.zip.net - APESAR DE ESTAR DESATUALIZADO, OFERECE BOM PANORAMA DA POESIA CONTEMPORÂNEA MARANHENSE, ALÉM DE CONTAR COM TEXTOS DE GRANDES POETAS ADMIRADOS.

E é isso. Até sermos nós mesmos em breve!

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