domingo, 12 de junho de 2016

playing god


Teu golpe arrancou o silêncio que vive aqui. Silêncio sem a força de tua bala, sem o peso de teu chute. Silêncio que me refrigera e estende lânguido à espera de um bem que escorre para as galerias. Silêncio nascido antes do primeiro homem. É o que tenho. Você me alcança como um gancho a goela de um porco. Não posso mentir o fogo em minhas mãos. Talvez eu tenha a escolha de lançá-lo em tuas costas ou deixá-lo me consumir. Sou tentado a fazer as duas coisas. Mas seduzido pela ideia do Sempre, desde a primeira estrela, os passos do Homem só são feitos para e disso. Adoeço com meus irmãos, temos sangue nos olhos... Eu me equilibro no silêncio e para o silêncio; porém, quebrado, me resto adormecido na prece em que rogo lonjura, sensatez, um Todo Poderoso residente em minha cala e que não se permita injuriar pelos que creem sê-lo.

#PrayforOrlando
  

domingo, 1 de maio de 2016

poderes


depois de liberto pelo umbigo, és liberto pelo silêncio: ignora, foge, e te libertas. 

colhe, longe, a fruta desvista pelo homem tolo, todos os homens tolos. 

corre, revista pela fresta quem te persegue. esqueça-os. tente.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

domingo, 6 de março de 2016

glitch iii


o defeito se percebe. o erro ganha uma voz. a falta se revolve na fábrica. na falha, caminhos espinhosos que não conduzem a nenhum acerto. as coisas como são. a mudança presa nela mesma. um acorde de louças que caem. prisões de céus e infernos. disputas indecentes. todos os galhos quebram, independem do fruto que carregam. o que vejo pelo telescópio não poderá ser uma nova casa; apenas me certifico do incêndio que há nessa aqui. paro retorno receio. milênios em genes e memes. sou tão pouco que não alcanço. 

caminhemos. 

caminhemos. 

sobrevivemos. 


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

domingo, 21 de fevereiro de 2016

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

o ____ é uma flor roxa que nasce no _______ dos trouxas


O detalhe mais claro dessa minha vertigem é perceber que nada foi tocado pelas mãos por vinte e oito anos. Te alcançar inadvertido é tamborilar frenético todos os presentes cercados de um futuro que me afasta. Eu sabia que a onda me quebraria, mas permito que me leve. Como não saber de nada, viver amorfo ou ignorado, e agora, poder queimar livremente.


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

resto


você pergunta por meu idioma obscuro e te digo que meus porquês são do mistério: como sobe o braço, por que flores são flores, quais as formas no espaço, quanto de pão expias, por que me apaixonei pela impossibilidade.

você pergunta pelo meu senso de lógica e só posso te levar até aqui -- digo, óbvio não tenho mãos de deus, não me apetecem as ladainhas, sou meio metro de hipocrisia. só posso te levar até aqui.

duodolo. Oriebiro, jan. 2016, com a ferramenta Mosh 

você pergunta meu coração responde, não o amor que carcome meus genes, mas a invenção oca valvulada. é minha espada. cheguei até os portões de qualquer coisa convencionada objetivo e por testamento só pertenço ao deserto de porra nenhuma. 


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