quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Cotidiano (de um poeta?), de Wesley Costa

Bem, este é o poema de Wesley Costa que mais gosto no iminente Acorde. É deliciosamente metafórico. É divertido. Confira-o aqui, com uma apreciação do também colega de labuta poética, e participante da antologia Acorde, Igor-Pablo. Confira e sinta-se à vontade a inferir sobre... ferir talvez.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

e o livro ACORDE vem aí...


Adoro este poema. Está no iminente Acorde
O poema fala sobre... Ah, como gostaria que alguém me dissesse que este poema diz, ou quer, ou pretende!
O poema nos espera. Poemas nos esperam. No mais,

O poeta é uma deformidade
Claudia Roquette-Pinto

E este é meu poema:
 
feito humano
finjo ritmos
que só gritam no escrito
só acendem no cantado
nunca me atingem
suplicam

és um escolhido

feito urbano
serpenteio rios vazios
chamo de lixo
o ídolo do extinto
situo meu corpo previsto
indivisível servido

projeto sombras no estio
altero brios
produzidos no frígido
colher do crítico
o que anula o mirado
sob seu próprio cio

até que
sendo cozido entornado
em vazio ainda humano
anuncio

serei obra do desdito 

© Sebastião Ribeiro

sábado, 10 de setembro de 2011

a morte da poesia


E não me parece que ela morrerá nos braços de Rodolfo Valentino. Ontem fui avisado (avisado, sim) que a poesia é passível de morte, logo humana que é. Apesar de percebermos uma unha ou um tornozelo eroticamente salientados dela, claro que falo da consciência humana. Fui alertado de um novo modelo de tv, e da mesma forma (ou sob isto) fui alertado que a poesia pode morrer.

Finar-se quando o homem confundir a liberdade de espírito com a liberdade que as mãos nos bolsos pode compreender. 

Finar-se como se termina um livro.

Finar-se como aquele tempo 'desperdiçado' num prazer 'ilícito'.

O que de nós é todos e quanto do todo podemos carregar em nossas mãos? Nos transbordamentos, a poesia está ameaçada.


[recomendo a leitura de Poesia & Utopia, sobre a função social da poesia e do poeta (Escrituras, 2006) do poeta e doutor Carlos Felipe Moisés. A leitura é esclarecedora.]

forquilha


Amigos, dois links para tirar aquela remela dos olhos. O primeiro é um trabalho meio antigo, mas válido, publicado na comunidade (mais válida ainda) A Garganta da Serpente. é um poema chamado Downtown, que você pode curtir aqui.

O outro é o recentíssimo blog do livro Acorde, de autores Igor-Pablo, Wesley Costa e ... eu. O espaço servirá de ponte entre a leitura e escrita, manufatura e consumidor. Entre, curta, siga, comente. Sua impressão é sempre bem-vinda. Logo. logo o livro físico estará aí à disposição, mas por enquanto catemos o produto de tanta expectativa. Isso é possível clicando aqui, ó!

Saudações

sábado, 20 de agosto de 2011

go & spread the word

Dez anos me fizeram um jovem poeta. Quando ainda contava meus textos, me dei conta que nem os anos se devem contar. Dez anos me fizeram ciente da iminência dos dias. Ao contrário de jovens escritores que verifico aqui & acolá, não mais me interessa fazer dum livro uma coleção de borboletas. A beleza que crio anda travestida, e tem show hoje à noite num gayclub da vida.

Tenho uma história, e como as que admiro, preciso achar uma lógica em acreditá-las.

Ah, e feliz aniversário para meu agora.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

untitled document

                     
                              a R. C. 

que tipo de ver é
este que lembra e
lembrando esparsa
seu vapor no corpo
incapaz de tomar-se
o uísque poderoso
que derrama de
qualquer coisa
que em ti indo
fica
enfática
insondável
frutuosa
delirante
                        
                      © Sebastião Ribeiro 

sábado, 6 de agosto de 2011

I


Será o amor, o salário arenoso ou a falta de proteínas a me fazer assim? Assim como? Assim, desta maneira quieta e explosiva, desta maneira com recheio de morango. Desta maneira é que faço poesia, e  - como assim?-, assim como desta maneira sou, Deus te diga o que quis dizer-te comigo (Quintana agora...).

Será a falta de amor, será o 'que é o amor?', será simplesmente a fúria bi-diária de enrolar-se nas coxas alheias, será a sede em falar aqui, assim, afim de mim, e para onde isto irá? Será que irá? Vai-se indo. E Deus queira esclarecer-me perante teu desejo.

Será enfim esta letra de música que não lembro, dizia o que mesmo? Só lembro que era Arcade Fire... Talvez fosse, mas não assim como assim vou, ou estou. Meu dia que espelha tantos outros busca seu selo oficial: os poemas que aqui não ponho. Ainda. Assim. Como assim? Deus queira te jogar um pedregulho à caminhada para nada te dizer sobre que quis Ele murmurar a meu respeito.

sábado, 30 de julho de 2011

contradição nº 897


Precisei de algo muito forte que elucidasse o já conhecido fato da força de gato que uma palavra tem. Provei de uma ira profunda e sincera, ira que me ancorasse no ridículo, e então aí, descobri a palavra deitada e luxuriosa buscando um amante virgem (trecho honestamente disponível à interpretação pelo método histórico-biográfico).

Dos senhores sentados na porta de suas casas, do comerciante que abre às tardes de sábado, da falta de moradia à moradia limítrofe da inabitável, palavra alguma forrará o chão. Dos milhões de gritos e surras e escrutínios disponíveis neste país, dos milhões destinados à erradicação da miséria (qual?) e da lisura, o que da palavra não será cinza de lenha antiga?

Meus leitores, a grande palavra é a que mergulhou na calda de sentido de tantos silêncios. Dentre eles, a Lei. Sinto que o compromisso dos que querem viver na pretensa força de uma palavra buscando Arte andam gozando-a de tal forma que qualquer onanismo é brinquedo. Meus senhores, amemos, mas não esqueçamos de acordar cedo para o trabalho. Por que? O mundo deseja. 

Question: Até onde um poeta desejoso da fuga pode chegar? O que a palavra interessa à fuga? Que é uma palavra na fuga? E de fuga?
Answer: Algumas palavras relacionadas por um fio de cobre talvez respondam mais pela sua forma de adorno que a de utensílio. Que utensílio precisamos? O que é o utensílio?

Answers...

domingo, 24 de julho de 2011

black


Não existem muitas palavras que interessem mesmo a mim neste instante. Ando colhendo-as, observando todos os lados, sem medo de usá-las quando não gostam de como elas caem em mim; sabe, coisa de consumidor destes tempos.

Às voltas com o nada oriental, sei que existe uma fonte que recheia os vãos ocidentais. As palavras também parecem vir dali, então anuncio frequentemente este silêncio que absorve e liberta, mesmo que em termos.

Quero mesmo é compreender o conjunto de direções que enlevam e manipulam ao mesmo tempo meus olhos e voz. Eu parei para buscar um som em que possa acreditar.

a Amy Winehouse

quarta-feira, 6 de julho de 2011

você referente

Ando dormindo, mas com a baioneta ao lado. E não sei ao certo, porém, mesmo um vulto corre o risco de se machucar com meus golpes no ar. E como guarda que vigia,  inevitável o cansaço esmurrá-lo. Daí uma suposição, se vigio por proteger ou vigio por exigência – de quem, vai saber.

Esta tentativa de metaforizar acima é produto do que creio acreditar (!) como viável – vejam: viável, não certo; do que creio realizável e compartilhável em poesia. Penso aqui que, para ser visualizado aqui, teria que discorrer com minhas parcas armas de defesa sobre pra que raios poesia hoje e onde faz e como se come; acontece que de certa forma diluo isto por aí de tantas maneiras, que a única maneira que vejo como verdadeira para considerarmos a poesia atualmente é: relaxe... e goze, se puder.

Tentarei mais uma vez me explicar. Acredito piamente na capacidade das pessoas, do ser pensante, digamos, até que este se prove indubitavelmente incapaz de coisa alguma. Quem escreve ou quem quer pensar quem escreve ou como quem escreve ou se não escreve, o quer fazer sem pensar, ou ainda, pensá-lo sem fazê-lo, nos ajuda com o descrédito de que a recepção não é importante. Eu digo, sim e não. Explico novamente: a palavra chave para uma boa relação com o leitor ou o vendedor de ovos da esquina é relativização (Deus, mesmo o Universo e a Natureza são relativos, por que eu quereria ser absoluto?!). A recepção geralmente não deve se meter no trabalho do escritor e vice-versa. Por que? Porque a relação entre quem escreve e quem lê é cimentada na afinidade e na reciprocidade. Do contrário, ambos se contradiriam como um ou outro.

O diálogo é deveras importante e construtivo. Mas como disse acima, creio na capacidade do ser pensante (e sensível ao que pensa, da forma que for), e o leitor é processador, não criador. O leitor (eu e meio mundo) é re-criador. A beleza e funcionalidade da coisa estão aí, e, finalmente, espero ser considerado (ou compreendido) quando digo que nem a re-criação, nem a criação (que seria, aqui, criação?) são coisas limitadas, apesar de certa forma exclusivas de suas partes; a criação é um processo, um caminho, que naturalmente começa num ponto e paga seu pedágio noutro – e está implícito seu não-retorno ao ponto original da mesma forma como deste foi-se. E esta condição não impede interseções.

Considerar este tipo de coisa é especialmente estranho ou frustrante quando em falarmos de poesia. Nestas universidades. Nesta cidade. Neste país. Poucas mentes veem a coisa de forma holística. A força do texto poético carrega uma filosofia e uma consciência do mundo (onde quer que esteja localizado) que muitas vezes um romance ou um conto não alcançam. Vejo por este viés uma das razões da sobrevivência da poesia. S-O-B-R-E-V-I-V-Ê-N-C-I-A. Não que creia que ela morrerá, mas como os famintos de África, vão-se alguns; outros aparecem. Neste caso, a poesia ajudaria a sensibilizar a coletividade, mas, nem preciso dizer que, quem viabiliza as coisas nestas civilizações civilizadas não é o poema ou o poeta, e claro, a política. Vejam porque a poesia social é uma das formas mais fáceis dum poeta se queimar. É necessário ter consciência, e, se possível, engajamento físico para a mudança. No mais, se isto não faz parte de sua personalidade ativa ou passiva, reconheça sua condição. Os rótulos e as exigências são outra maneira de controle, e falo aqui especialmente do tipo de controle anímico, e que, vai saber, deve ser atávico em alguns. Circulando, se lembram do dito ‘cortar o mal pela raiz’? Seja bem ou mal, alternativo ou capitalista, a raiz é permitir à sensibilidade tornar-se física, ou pelo menos visível às relações entre humanos-humanos e humanos-coisas.

Finalmente, quero lembrar que existem duas espécies de hermetismo em poesia: o da linguagem e o do couro de quem escreve. Ambos criam barreiras, mas as Guerras Mundiais, a do Golfo, a do Afeganistão e a do Iraque nos mostraram que nada neste mundo ainda é intransponível. É uma questão de relativização e sensibilidade. De quem ataca e de quem é atacado. Daí haver vencedores/perdedores, sobreviventes/mortos, e as possíveis combinações entre estes elementos. A recepção é muito vária. Os escritores, tão quanto. A ditadura das personalidades leitoras, escritoras e consumidoras existe, mas como quando coerentes sabemos, este tipo de situação causa mais que preconceito e confusão, causa intolerância. Uma das causas do distanciamento do público-leitor da poesia foi o hermetismo, o desafio, às vezes, desmedido contra a lucidez. A lucidez não necessariamente quer dizer objetividade, e objetividade muitas vezes é confundida com síntese da síntese. Mesmo assim, não me atrevo ainda a levantar bandeira quanto a isto, pois acho que minha condição de Artista e missão como Poeta é de certa forma maior que isto. Ossos do ofício. Condições do amadurecimento – sempre possível e presente. O hermetismo de fato inútil ao ser humano, como espero que tenhamos percebido, é o hermetismo do espírito.

Licença Creative Commons
gaveta, galáxia by Sebastião Ribeiro is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Não a obras derivadas 3.0 Unported License.