quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
glitch (exhibit G)
por
Sebastião Ribeiro
Idos
Me coça o coração até que fira
arame esticado cerca ao contrário
estar é algo extenso
espera cada célula se desfazer
inseto oco mínimo e implodido
ou o tempo gotejando da pedra
invenção de um espírito
bouazizi palach quang duc em prece
as formas que viver toma desfilam
em ciranda
estamos aqui dispostos ao corte
ou nos levam ou nos deixamos
você e sua boca de fogueira
suportam bem basta-lhe cuspir
não nós
que fazer além da chama?
Contar o peso das moedas
infiltrar sinais de rádio
no fundo do ribeiro onde
me consignaram o calor
(RIBEIRO, Sebastião. Glitch. São Paulo: Scortecci, 2017)
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
P
por
Sebastião Ribeiro
Estas linhas são âncoras. E também anzóis, que expõem, acima de tudo, minhas vitórias, pois as quedas estão bem-dispostas aos meus pés. Fui envolvido. Envolvi. Ganhei. Perdi. Chorei. Ressurgi. Chorei mais. A verdade é que ainda choro vezenquando. Estou vivendo sem medidas. Todos os caminhos parecem embaçados. Não pertenço a lugar algum além desse em que fui deixado. Sei disso. Muito bem. Tanto que, consciente, prefiro o lugar da dor. É o que conheço. Me previne de estar ao vento. Ainda que você claramente tenha me jogado ao mar. Você, cheio de defeitos. Qualidades, algumas. Mas suficientes para me levar a algum motivo novo, outra implícita faceta da minha vida. Peguei o que tinha e me joguei. Até em teu beijo chorei. Você me tomou nos braços e disse que estava ali. Ali eu sabia que estava perdido. Hoje eu revolto a perda. Balanço-a, insípido, idiota. Cego. Cego das coisas que ainda virão. O Universo é testemunha, eu tento. Drago-me, arrasto com forças tudo que era antes de você. De tanto puxar, deixar ir, apadrinhar, sentar num banco de shopping e marinar no travesseiro, decido ser por mim. Você ri, vive como se nada aconteceu. Provável que para você foi assim. Agora sei. Oh, life is bigger, bigger than you and you are not me. Não cantarei vitória ainda e não verei as flores se abrirem na madrugada. Eu deixarei. O que tenho é ar nos pulmões, uma história antes de você e uma antes de mim mesmo. Conhecendo a mim, nada será fácil. Você estará aqui. Como no dia em que chorei em teu beijo. Só que agora, na cabeça, solto tuas mãos. Vá para onde quiser, não devo nada em tua cabeça. Me agarrei a uma centelha, e vejam só que ironia, de fato ela causou incêndios. Então que a chuva venha e se misture às minhas lágrimas. Ela passará. E ao fim ou mesmo antes, eu serei mais que eu. Continuarei caminhando, com meus esperancismos... Feito de memórias e de lírios.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
glitch (exhibit F)
por
Sebastião Ribeiro
Júnior
cemitério & jardim
mesma linha d’água
descanso em pedras de sal
RIBEIRO, Sebastião. Glitch. São Paulo: Scortecci, 2017
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
dexembro
por
Sebastião Ribeiro
Não estar em si, mais que a perda de controle, confirma a antiga história de que é possível alguém enxergar e não ver; é possível que o controle seja todo perda e a perda, um convite, a tomar algum controle.
Eu, todo desejo e apreensão, me lancei de encontro às pedras e, nesse instante, sei cada osso meu triturado pela força de minúsculos épicos, clichês injetados em nosso dna, dos quais não poderia prever o poder e alcance.
Diz a canção: 'looking for Heaven, found the devil in me' ... e assim me certifiquei que somos todos fados antigos, dispostos grãos de areia... Querer é veneno, licor e gasolina. Vórtices continuarão a chegar. O que farei?
Inspiro e seguro minha própria mão, cantarolando paraíso e inferno num só gesto. Defenestrado e sem esperancismos. Mas querendo.
E levando...
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
glitch (exhibit E)
por
Sebastião Ribeiro
Amargo
Sob a noite o lençol dela
e espero boas novas
só desejo tua face sem lábios
quando acordar
saltito pronto em tua mesa
servido ainda que não queiras
em meus pés o gelo
que desprende de tua nuca
porque o sempre é um lugar verídico
onde se pode vender qualquer coisa
(RIBEIRO, Sebastião. Glitch. São Paulo: Scortecci, 2017)
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
glitch (exhibit C)
por
Sebastião Ribeiro
![]() |
| segundo o Cambridge Dictionary, glitch é uma pequena falha ou erro que evita algo de ser bem sucedido ou funcionar como deveria... |
sábado, 1 de outubro de 2016
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
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