sábado, 16 de julho de 2016

1/4 vivo



¼ vivo

Dormente
quem caminha ou a direção entorpecida

o motivo mais próximo enterrado
aos pés de um flamboyant me acende a vista
ainda que me resguarde da própria vida

mas sigo porque em mim
há um desvio que vitrifica
cada coisa à minha frente

dessa forma pouco me atinge o erro
quase nada me adianta a memória
a não ser costurar instruções de civilidade
na boca do estômago

eu sigo para o casal insuportável:
jovem e limpo

eu sigo a falha a índole amarga
que atrai para as facas e o receio
de me confiar apenas nas pernas
ou na força que cria para a negação

sigo quase ansioso pelo vômito/ a frustração
até que me tenha submerso no correr de flores
esmurradas em enxurrada estuando
no tempo liso do sonho de vovô e vovó

só que uma vez suspenso
me vejo quebrado
pois aqui pode haver uma solução de alegria
em minha descrença na continuidade
e de que passarinhos também fodem

(RIBEIRO, Sebastião. &. São Paulo: Scortecci, 2015)

domingo, 12 de junho de 2016

playing god


Teu golpe arrancou o silêncio que vive aqui. Silêncio sem a força de tua bala, sem o peso de teu chute. Silêncio que me refrigera e estende lânguido à espera de um bem que escorre para as galerias. Silêncio nascido antes do primeiro homem. É o que tenho. Você me alcança como um gancho a goela de um porco. Não posso mentir o fogo em minhas mãos. Talvez eu tenha a escolha de lançá-lo em tuas costas ou deixá-lo me consumir. Sou tentado a fazer as duas coisas. Mas seduzido pela ideia do Sempre, desde a primeira estrela, os passos do Homem só são feitos para e disso. Adoeço com meus irmãos, temos sangue nos olhos... Eu me equilibro no silêncio e para o silêncio; porém, quebrado, me resto adormecido na prece em que rogo lonjura, sensatez, um Todo Poderoso residente em minha cala e que não se permita injuriar pelos que creem sê-lo.

#PrayforOrlando
  

domingo, 1 de maio de 2016

poderes


depois de liberto pelo umbigo, és liberto pelo silêncio: ignora, foge, e te libertas. 

colhe, longe, a fruta desvista pelo homem tolo, todos os homens tolos. 

corre, revista pela fresta quem te persegue. esqueça-os. tente.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

domingo, 6 de março de 2016

glitch iii


o defeito se percebe. o erro ganha uma voz. a falta se revolve na fábrica. na falha, caminhos espinhosos que não conduzem a nenhum acerto. as coisas como são. a mudança presa nela mesma. um acorde de louças que caem. prisões de céus e infernos. disputas indecentes. todos os galhos quebram, independem do fruto que carregam. o que vejo pelo telescópio não poderá ser uma nova casa; apenas me certifico do incêndio que há nessa aqui. paro retorno receio. milênios em genes e memes. sou tão pouco que não alcanço. 

caminhemos. 

caminhemos. 

sobrevivemos. 


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

domingo, 21 de fevereiro de 2016

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

o ____ é uma flor roxa que nasce no _______ dos trouxas


O detalhe mais claro dessa minha vertigem é perceber que nada foi tocado pelas mãos por vinte e oito anos. Te alcançar inadvertido é tamborilar frenético todos os presentes cercados de um futuro que me afasta. Eu sabia que a onda me quebraria, mas permito que me leve. Como não saber de nada, viver amorfo ou ignorado, e agora, poder queimar livremente.


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