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o que procuras pra onde vais o que serás, jumentinho? |
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dos processos
do dia de hoje
a marca duma manhã antiga
a falta que me conhece toda trilha
antes do passo assíduo de quem posso ter sido
antes de me conformar nesse corpo-mim
do dia em qualquer parte
a missão?
meu ritmo de burra prenhe fuçando lixo
não me deseja sentido
nem permite que nasça lógica numa perda
missão?
apanhar dez por cento de aumento
como a mosca de sorte sobre o gato vazio
do dia furado
o sono preciso
que plastifica minha sombra medrosa
feita de partes que piso e ainda assim voam
que diria um de meus pais perdidos
da fuga que não conheceram?
sobro em processo ciclo ou inferno
sobro do velho ou do inseto
me sobro no invento de outro labor
que não o do orgasmo perfunctório
de meus dias internos gastos e letais
(RIBEIRO, Sebastião. &. São Paulo: Scortecci, 2015, pg. 100)
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